VARIAÇÃO - Com aumento na carne bovina, consumo de frango e porco já é maior em lares brasileiros DIVULKGAÇÃO

Preço das carnes influi na inflação; dono de estabelecimento em Araçatuba relata aumento no consumo

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

O consumo de carne tem se mantido em alta em Araçatuba, mesmo com os aumentos dos preços da carne bovina, além de aumentos também na carne suína e na de frango. De acordo com proprietários de estabelecimentos consultados pela reportagem, o crescimento exagerado do preço da carne bovina causou migração de parte do público para a carne de frango e a carne suína, que também registraram aumento nos preços.

Apesar disso, o volume de vendas segue alto. Segundo o dono de um estabelecimento especializado na venda de carnes, houve um crescimento de aproximadamente 30% nas vendas ao longo do mês de junho, que ainda não tem seu balanço fechado.

De acordo com dados divulgados pelo IBGE na última sexta-feira (25), o índice do IPCA-15, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, subiu 0,39% em junho em relação a maio, e chegou a 0,83%. Os novos dados foram muito puxados pelo grupo de alimentação e bebidas, que subiu 0,41% no mês.

Apesar de queda nos preços de alimentos como arroz, frutas e alguns legumes, as carnes no geral mantiveram a tendência de aumento e tiveram crescimento de 1,14% nos preços, o que elevou o índice do grupo de alimentos.

Produção mais cara e exportação em alta

Em conversa com o empresário André Luís Pavan, proprietário da Casa de Carnes Romanos, em Araçatuba, ele afirma que o crescimento no preço das carnes é originado na produção. Segundo ele, produtores estão tendo mais gastos com ração devido ao pasto mais escasso, o que encarece o produto e rebate no consumidor.

“O problema é a falta de pasto em uma época dessa, a seca contribui muito pra isso, os grãos subiram demais e aí acaba afetando no preço. Esse aumento está vindo por causa disso”, informou o empresário.

As exportações também são outro fator que contribui para o aumento, já que está mais compensatório para o produtor vender a carne para mercados, como o asiático por exemplo, devido à alta do dólar, que traz mais ganhos, ao passo que fica mais barato para quem compra fora do país.

O pecuarista araçatubense Thomaz Neves Rocco afirmou, em conversa com a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, que o câmbio e o mercado chinês tem ditado o ritmo dos negócios envolvendo a carne bovina.

“Quem vai ditar o ritmo do mercado é o câmbio e a China, de acordo com as exportações. À medida que esse câmbio vá ficando mais apreciado, o chinês vai comprar mais carne e essa carne vai encarecer no mercado interno para nós”, explicou o pecuarista. “O custo dos insumos alto faz com que o pecuarista fique um pouco mais retraído como ele não esteve o ano passado”, disse.

Migração

Segundo o encarregado do açougue da unidade 2 do Supermercado Rondon, Leonel Júnior, houve uma migração de aproximadamente 20% dos clientes para carnes de porco e de frango no último ano.

“Os clientes têm migrado para a carne de segunda, que está um pouco mais em conta, para carne suína e para as aves também, como a carne de frango, que é um pouco mais em conta em relação às outras”, explicou Leonel Júnior. “O cliente economiza uma media de 25% a 30% nesta migração”, afirmou.

De acordo com pesquisa divulgada na última semana pela Associação Brasileira de Proteína Animal e feita pelo Centro de Assessoria e Pesquisa de Mercado, mostrou que pelo menos 94% dos lares brasileiros consomem carne de frango, enquanto 80% consomem carne suína e 79% consomem a carne bovina, com a carne de peixe sendo consumida por 65% dos lares.

Crescimento nas vendas

Apesar do aumento no preço, de acordo com o empresário André Pavan, as vendas de seu estabelecimento estão aumentando. No ano passado, em depoimento à reportagem ele já havia comemorado uma alta de vendas no período mais restrito da pandemia, entre abril e maio de 2020, e ele relata que neste ano houve um acréscimo entre 25% e 30%.

De acordo com Pavan, ele acredita que o crescimento deriva de alguns fatores como o costume do brasileiro, que mesmo migrando para outros tipos de carne, como suína e de frango, segue consumindo produtos que ele comercializa, além do retorno das atividades comerciais em abril deste ano, que deu fôlego à economia local.

“As vendas aqui pra nós aumentou, mesmo com esses aumentos que teve. Tivemos dois aumentos esse mês da carne. O pessoal começou a migrar pro frango e começou a ter um aumento também, o porco também está tendo. Mas mesmo assim está aumentando as vendas também, mesmo com esse aumento”, contou André Luís Pavan. “Teve de 25% a 30% de aumento de vendas e procuras por esses produtos. No período de junho teve muita procura. A carne mesmo subindo, disparando, o pessoal parece que continua consumindo mais”, comentou.

O proprietário da Casa de Carnes Romanos elencou também entre os fatores para o crescimento das vendas o período de pandemia, que fez crescer o número de reuniões familiares entre membros das próprias casas, onde geralmente há adereços como o famoso churrasco de final de semana.

“Faz parte do lazer do brasileiro, aquele churrasquinho. Agora com essa pandemia, o comércio está ficando um pouco mais aberto até mais tarde e está ajudando muito nisso também”, opinou Pavan.

 

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