FERNANDA COLLI
A vida de uma mulher começa antes mesmo de ela se reconhecer mulher. É a sociedade que cobra da mocinha que precisa saber se sentar, da princesa que precisa comportar-se ou até mesmo da Barbie que precisa ser vaidosa para que consiga uma posição social e não seja traída pelo seu companheiro por estar mal arrumada.
Se você passa horas no salão, cuida de sua aparência e de sua forma, você é fútil, mas se você não faz nada disso, você é desleixada.
Se você se mata de limpar a casa, você é neurótica, mas se não o faz, é desprovida de higiene.
Se você trabalha o dia todo, você não se importa com a família, mas se fica em casa, você é submissa.
Mas se você ousar estudar e fazer tudo o que quer fazer, você se torna transgressora e passa a ser o alvo de comentários dos mais maldosos possíveis. Vão falar do seu cabelo, da sua capacidade, do seu andar, vestir, existir.
O tempo todo mulheres são subjugadas pelas suas escolhas e a todo tempo seus sonhos sofrem uma tentativa de “sufocamento”. Violência direta e indireta de homem para mulher, de mulher para mulher, da sociedade para a mulher.
Talvez se parassem de nos julgar e apenas nos aplaudissem pela força, pela coragem e pela resistência de mesmo com tantas tentativas e a nossa quase morte diária, a sociedade não esperasse apenas o dia da mulher para enaltecer nossa força, nossa coragem e de certa forma nossa ousadia.
Já passou da hora de pararem de nos matar seja com palavras ou seja com ações, porque no final só queremos viver nossos sonhos, angariar o nosso espaço, ter o nosso lugar de fala e podermos ser livres sem ter medo.
Fernanda Colli é pedagoga, psicopeda-goga, Arte Educadora, e membro da Acade-mia Araçatubense de Letras.

