Alceu Batista de Almeida Júnior
Jeremias Alves Pereira nasceu em São José do Rio Preto, em 6 de julho de 1919. Em Araçatuba, cidade que adotou como sua, construiu trajetória marcante como farmacêutico, advogado e, sobretudo, jornalista combativo e defensor do desenvolvimento urbano e social. Iniciou a vida profissional ainda adolescente, como aprendiz na farmácia do tio, Júlio Alves Pereira, atendendo também em cidades da região, como Braúna e Clementina. Formou-se em Farmácia pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e fundou, em Araçatuba, a Pharmácia Paulista, primeira farmácia de manipulação da região, unindo rigor técnico, dedicação ao público e apreço pela pesquisa. Paralelamente, cultivava a leitura e a escrita, vocação que o conduziu ao jornalismo.
Foi redator-chefe do jornal A Comarca e correspondente da Folha da Manhã, depois Folha de S. Paulo. Em 1953, fundou a Tribuna da Noroeste, pioneiro vespertino regional, instalada por décadas na Rua Duque de Caxias, onde funcionavam a redação, a gráfica e a Clicheria Noroeste. Pelo jornal, consolidou-se como uma das vozes mais críticas e influentes da vida pública araçatubense. Atuou intensamente na vida comunitária: presidiu o Rotary Club de Araçatuba (1977/1978), foi diretor da ACIA, recebeu o título de Cidadão Araçatubense e integrou a Loja Maçônica Tupy. Casou-se com a professora Leonor de Oliveira Alves e teve três filhos: Zilah Alves Pereira de Castro; Jeremias Alves Pereira Filho e Jairo Alves Pereira, ambos advogados formados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Jeremias Filho tornou-se Professor Emérito da instituição e colunista da Folha da Região, mantendo viva a tradição jornalística da família.
Na política, participou apenas como candidato a vice-prefeito na chapa liderada por Elísio Gomes de Carvalho. Entre suas maiores contribuições à cidade destaca-se a campanha pela retirada dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil do centro urbano. Em sua coluna diária Ligeiras, marcada por ironia fina e crítica social, denunciou acidentes, o “cinturão de ferro” que dividia a cidade e o preconceito contra os moradores da região “para baixo da linha”. Às próprias expensas, encomendou projeto prevendo o desvio da ferrovia, a criação da atual Avenida dos Araçás e o aproveitamento cultural das antigas instalações ferroviárias, hoje denominadas Espaço Cultural Jornalista Jeremias Alves Pereira.
Jeremias Alves Pereira faleceu em 16 de janeiro de 2000, aos 81 anos. Seu legado permanece como exemplo de ética, compromisso com a informação, civismo e visão de futuro, integrando de forma definitiva a história de Araçatuba.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, historiador e autor do Livro: Memórias de Araçatuba.

