Alceu Batista de Almeida Júnior
A cidade de Araçatuba tem como data oficial de fundação o dia 2 de dezembro de 1908. À época, a região era habitada por poucas famílias, posteriormente reconhecidas como fundadoras do município. Com a chegada dos trilhos da estrada de ferro ao quilômetro 280, foi destinado um vagão de trem para servir de dormitório aos trabalhadores da ferrovia. Esse ponto passou a ser identificado como Estação Araçatuba, denominação que acabou se consolidando. Entretanto, são diversas as versões sobre a origem do nome Araçatuba, tema que desperta debates entre historiadores, linguistas e pesquisadores.
Segundo Afonso A. de Freitas, em sua obra Vocábulo Nheengatu (1936), a palavra “araçá” refere-se a frutas que apresentam “olhos”. Na língua abanheenga ou nheengatu, haveria a junção de uan (fruta) com ça (olhos), expressão usada para indicar pequenas lesões provocadas por picadas de insetos durante o amadurecimento do fruto. O araçá é o fruto do araçazeiro, planta do gênero Psidium, pertencente à família das mirtáceas. A hipótese mais difundida sustenta que os indígenas utilizavam o termo para designar uma região com abundância dessa fruta, resultando da junção de araçá + tuba, sendo tuba sinônimo de “muito” ou “abundância”.
No livro História de Araçatuba, de Odette Costa, há o relato de um antigo engenheiro civil que afirmou ter encontrado grande quantidade de araçás-silvestres e araçazinhos enquanto realizava medições de terras na região.
Outra hipótese sugere que Araçatuba teria sido o nome de uma filha de um cacique da etnia Kaingang. Contudo, estudiosos refutam essa possibilidade, afirmando que, do ponto de vista etimológico, não se trata de um nome próprio.
Há ainda a teoria de que Araçatuba seria o nome de uma corredeira, formada a partir da expressão indígena ar-haçá-ty-bo, que, por contração, resultaria em haru-aça-tu-bo. O termo era usado para indicar locais onde a água corre de forma rápida e intensa, por um leito estreito formado por pedras. O professor Euclides Garcia Paes de Almeida afirma possuir mapas anteriores a 1900 que identificam uma Corredeira Araçatuba no rio Tietê, nome atribuído por bandeirantes que cruzaram a região.
Em alguns mapas antigos, além da corredeira Araçatuba, aparecem representações de araras, o que teria levado, segundo outra versão, à denominação inicial de Araratuba, posteriormente modificada para Araçatuba.
De acordo com a historiadora Ângela Liberatti, em seu Guia Histórico e Cultural de Araçatuba, o nome deriva do tupi antigo, ara’sá (fruta) com tyba (ajuntamento), significando “lugar onde há muitos araçás”. No entanto, a própria autora ressalta que essa origem remete ao tupi-guarani, língua falada por povos diferentes dos Kaingangs, que eram os habitantes originais da região e possuíam idioma bastante distinto.
Por fim, uma matéria publicada no jornal A Comarca, em 2 de dezembro de 1964, apresenta uma contestação relevante: atualmente não há grande quantidade de pés de araçá no município. Além disso, historiadores afirmam que a região era originalmente coberta por mata densa, ambiente pouco favorável ao crescimento do araçazeiro, planta de porte baixo que necessita de sol, o que tornaria improvável sua existência em abundância naquele período.

