Diego Fernandes – Araçatuba
Autoridades que atenderam à ocorrência relacionada ao homicídio ocorrido em frente à Praça Rui Barbosa falaram sobre o caso em entrevistas ao longo da terça-feira (4).
Ainda na Central de Polícia Judiciária, onde o caso foi registrado, o Capitão Marcelo Spina, da Polícia Militar, a Comandante da Guarda Municipal Taísa Jácome, e o Secretário de Segurança de Araçatuba, Júlio César dos Santos falaram sobre o caso. Mais tarde, na Delegacia Seccional, o Delegado Getúlio Nardo, da Polícia Civil, também deu mais detalhes do caso, com informações sobre o depoimento do autor.
As informações passadas pelas autoridades, além de informações apuradas pela reportagem do jornal O LIBERAL com uma familiar do autor do vítima, dão conta de que José Roberto Nunes estava perseguindo o Guarda Municipal ao longo da manhã desta terça.
O Guarda teria passado em agências bancárias para realizar saques de dinheiro para pagar um exame médico de sua esposa, enquanto era perseguido e interpelado por Nunes. Ambos tinham uma desavença de vários anos por causa de um terreno de herança da família, onde Nunes estaria construindo sem autorização do autor.
Apesar de a polícia não ter confirmado, a familiar que falou à reportagem afirma que o guarda já teria boletins de ocorrência contra Nunes por ameaça. Na manhã dos fatos, ele chegou a avisar um familiar próximo por mensagem que estaria sendo perseguido.
A ocorrência se deu quando o guarda municipal saiu da terceira agência bancária que havia visitado no dia. Neste caso, ocorrido ao lado da agência do Banco do Brasil, houve um encontro e uma discussão seguida de ameaça de Nunes contra o guarda, que sacou a arma e disparou duas vezes, sendo uma vez de alerta, e uma contra Nunes, que caiu no chão ferido.
O próprio guarda municipal acionou equipe da GCM e a Polícia Militar para cuidar do caso, e foi encaminhado à delegacia. Ao chegar por lá, ele alegou legítima defesa.
“Esse indivíduo teria vindo na direção do GCM, que o alertou que estava armado, mas ainda assim ele teria efetuado um disparo de alerta para o alto, mas a vítima seguiu indo em sua direção e, por isso, ele efetuou um disparo contra a vítima que acabou sendo fatal”, informou o delegado Getúlio Nardo, da Polícia Civil.
De acordo com o Delegado, a Polícia Civil tenta ter acesso a câmeras de monitoramento para tentar confirmar a versão do guarda municipal de ter agido em legítima defesa.
“Ele está sendo autuado em flagrante por este homicídio. Embora ele tenha acionado e aguardado a polícia no local, mas por falta de outros elementos que efetivem a legítima defesa, ele foi autuado em flagrante, fica à disposição da Justiça e passa por audiência de custódia. O inquérito será instaurado e a polícia vai em busca de câmeras que possam ter registrado esse fato ou de alguma testemunha que tenha presenciado o que realmente aconteceu, para comprovar essa versão do guarda municipal”, disse o delegado.
Corregedoria
Em seu segundo dia como comandante da GCM de Araçatuba, Taísa Jácome, afirmou que é procedimento de praxe acionar a corregedoria para todo e qualquer caso envolvendo algum servidor da guarda.
“Todo GCM, independente se está de folga ou em serviço, quando envolvido em ocorrência, automaticamente é envolvida a corregedoria, e já vai ser aberto um procedimento administrativo para as providências cabíveis”, afirmou.
Já o Secretário de Segurança Pública, Júlio César dos Santos, explicou que apuração, no caso da Guarda, será administrativa.
“A apuração será se há alguma responsabilidade na área administrativa. Com referência à esfera criminal e cível, aí já é outra área”, afirmou Júlio.

