Da Redação – Araçatuba
A professora Marilda de Jesus Santos, conhecida como Professora Teka, da Rede Municipal de Educação de Araçatuba (SP), conquistou o 3º lugar no concurso nacional “IV Prêmio LEGO® Braille Bricks”. O projeto premiado, “Protagonizando o Saber”, foi desenvolvido na EMEB Francisca Arruda Fernandes.
A premiação ocorreu em 28 de outubro, na sede da Fundação Dorina Nowill para Cegos, na cidade de São Paulo.
O projeto premiado utilizou o kit LEGO® Braille Bricks como recurso pedagógico de alfabetização e interação entre os alunos da escola. O kit é composto por peças de encaixe que apresentam pontos em relevo correspondentes a letras, números e símbolos do sistema Braille, acompanhados de identificação impressa.
O diferencial do material é que ele permite que crianças com e sem deficiência visual aprendam juntas por meio de jogos e atividades de leitura e escrita, que foi justamente o diferencial do projeto vencedor da Professora Teka.
No Brasil, o Programa Braille Bricks, da Fundação Dorina Nowill para Cegos em parceria com a Fundação LEGO, disponibiliza gratuitamente os kits às instituições participantes e oferece formação para educadores.
O prêmio reconhece projetos que transformam essa formação em práticas inclusivas já realizadas ou em execução, avaliando a inovação, a aplicação pedagógica e os resultados alcançados na aprendizagem Referência nacional e internacional na inclusão de pessoas com deficiência visual, a Fundação Dorina Nowill tem 80 anos de atuação.
O reconhecimento coloca o trabalho da Professora Teka, desenvolvido na escola pública de Araçatuba, entre as experiências de destaque do país no uso do recurso para promover aprendizagem e participação.
Selecionado entre 47 projetos inscritos de todo o país, o trabalho foi reconhecido por promover a aprendizagem inclusiva com uma proposta que colocou Isabelle, estudante cega com 10 anos à época do projeto, no papel de ensinar Braille aos colegas.
Durante o projeto, Isabelle, que cursava o 5º ano e já conhecia o sistema Braille, atuou como monitora de atividades com turmas do 1º e do 5º ano. Sob mediação da professora Teka, durante as atividades, a assumiu a função de “par experiente”: a colega que dominava aquele conhecimento e podia compartilhá-lo com o grupo. A mudança ficou evidente durante os jogos.
Acostumados a ajudá-la em situações da rotina escolar, os colegas do 5º ano passaram a recorrer aos conhecimentos de Isabelle para resolver desafios, como os de um bingo de palavras.
No 1º ano, as crianças buscavam sua orientação com naturalidade e chegaram a pedir novas “aulas” com ela. Com cerca de 30 anos de trajetória na educação, Teka planejou o trabalho a partir dos conhecimentos e das possibilidades de participação da estudante.
“Isabelle não ocupava o lugar de protagonista porque era cega; ocupava esse lugar porque, naquele conhecimento, era a mais experiente do grupo”, explica a professora. “Meu papel foi observar, planejar, organizar as condições para esses encontros e acompanhar o processo, fazendo as intervenções necessárias e dando espaço para que Isabelle conduzisse aquilo que sabia.”
Os benefícios alcançaram também os demais estudantes e as relações na comunidade escolar. Jogos, listas de palavras e desafios aproximaram crianças com e sem deficiência visual da leitura e da escrita em Braille. As atividades estimularam empatia, cooperação e respeito às diferentes formas de aprender e se comunicar.

