Diego Fernandes – Araçatuba
Durante sessão ordinária da Câmara Municipal de Araçatuba realizada na segunda (15), os vereadores Arlindo Araújo e Luís Boatto, ambos do Solidariedade, voltaram a criticar a saúde pública de Araçatuba. Arlindo trouxe dados sobre a fila de espera por consultas e exames na rede municipal e fez lobby pela abertura CPI da saúde, enquanto Boatto chamou a atual administração de “governo da morte” ao citar o caso de uma paciente que tentou suicídio no PS e foi salva por um guarda municipal, além de apontar relatório do Ministério Público de São Paulo apontando ineficiência na atenção básica.
Arlindo Araújo apresentou alguns dados sobre a demanda de consultas, sendo que apenas para cardiologia, segundo ele, são 2.523 pacientes esperando, além de outros 1.781 para oftalmologia clínica, 1.181 para proctologia, dentre outras especialistas.
Ele ainda apontou a fila por exames médicos, sendo que, de acordo com os dados apresentados pelo vereador, são 7.750 pessoas aguardando exame de ultrassonografia no abdome, além de outros 3.153 aguardando ultrassonografia transvaginal, e 2.348 aguardando colonoscopia, dentre outros.
Arlindo ainda criticou a regulação de análise de pedidos de médico, que indeferiu 66 solicitações médicas de pacientes de Araçatuba em fevereiro, e outras 56 em fevereiro, dentre eles, pacientes com problemas cardíacos e diabetes.
“Por isso que morre um monte de gente em Araçatuba, morreu gente aqui porque não foi diagnosticado apendicite, faltam quites para diabetes, morreu uma criança com dor na perna, que estão tentando descobrir porque foi. Transportaram uma pessoa numa carroceria de uma Saveiro porque não tinha ambulância. Aparelho de ultrassom para gestante eu falei que não tinha e não sabe quando vai ter”, afirmou o vereador.
Arlindo ainda apontou o remanejamento de pacientes da UBS do Centro para a UBS do bairro São Vicente, afirmando que, apesar de a prefeitura ter apontado equívoco nesta mudança, o motivo real seria a sobrecarga de atendimentos.
Após a fala, Arlindo lembrou o pedido de CPI da Saúde aberto pelo vereador Luís Boatto, que recebeu três assinaturas até o momento, sendo que são necessárias pelo menos cinco para a instalação da investigação na Câmara.
“Nós não temos motivos para instalar uma CPI da saúde do município? Uma cidade com orçamento de R$ 1,04 bi para 2024. E acontece isso? Está tudo bem aqui?”, questionou.
Extremo
O vereador Boatto também aproveitou a fala do colega para apontar uma paciente que tentou suicidar-se no pronto-socorro. O parlamentar propôs voto de aplauso ao Guarda Municipal André Luiz de Lima Pereira, que liderou os trabalhos de negociação e acionou equipe da GM para evitar o pior.
Segundo o parlamentar, em fato ocorrido no dia 11 de abril, a paciente já havia jogado álcool no corpo e estava com o isqueiro na mão ameaçando atear fogo no próprio corpo por não aguentar mais a sua situação de enfermidade e a espera pelo atendimento no PS. Boatto chamou a atual administração de governo da morte.
“Esse é o prefeito da morte, essa é a secretária de saúde da morte”, exclamou.
Irregularidades
MP-SP apontou irregularidades no atendimento da saúde. Houve piora na efetividade da gestão do setor da categoria B para a categoria C+, é o segundo pior patamar possível.
“Ineficiência na atenção básica, falta de AVCB para todas as UBSs, necessidade de manutenção, inexistência de plano de carreira para os profissionais da área”, foram alguns dos pontos apontados pelo relatório e apresentados pelo vereador Boatto na sessão.
Defesa
O vereador D. Jaime (PSDB), líder do governo municipal na Câmara, apontou que a maioria dos problemas trazidos pelos colegas competem ao estado e à união.
“Todas as questões de média e alta complexidade os recursos são do governo do estado. E quem define fila é o governo do estado. Apertar o governo do estado eu não vejo, só o prefeito e o município nessa condição, o governo da União a mesma coisa. As contas foram aprovadas pelo Tribunal, que deu o parecer favorável e que apontou inconsistências”, afirmou Jaime.
Já o vereador Gilberto Batata Mantovani (PSD), integrante da Comissão de Saúde da Câmara, afirmou se reuniu com o prefeito Dilador Borges (PSDB) e com a secretária municipal de saúde, Carmen Guariente, e disse que recebeu informações da secretária de que mais médicos foram contratados e que a demanda aumentou consideravelmente no pronto-socorro, e disse que a Santa Casa aumentou 10 leitos de pediatria para atendimento infantil.
“Pensa que é fácil ser secretária de saúde? Olha a dengue em Birigui, em Guararapes e olha aqui”, defendeu o vereador.

