PIONEIRA - Tenente Coronel PM Adriana Beluzzo é a primeira mulher a comandar o Batalhão de Polícia em Araçatuba  

Nova comandante do 2º BPM-I já quis ser médica e acredita ser a primeira de muitas mulheres no posto

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

A Tenente Coronel PM Adriana Roledo Beluzo, de 45 anos, sendo 28 de polícia militar, que desde o último dia 25 de maio comanda o 2º Batalhão de Polícia Militar do Interior em Araçatuba, vem de uma família de policiais militares, além de ser casada com outro profissional da área. Ela, porém, quase seguiu outra carreira. Na adolescência, a policial militar já quis ser médica e foi se empolgando com a área de segurança após passar em concurso para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo (SP), incentivada pelo pai, que é oficial aposentado atualmente.

Com 65 mulheres entre os 549 profissionais que atuam no batalhão, a tenente coronel PM Adriana representa 12% do efetivo feminino do batalhão no comando e acredita que, mesmo sendo a primeira, virão outras mulheres no posto após sua passagem. O Batalhão compreende 31 municípios na região de Araçatuba, que contam juntos com uma população de 594 mil habitantes. O batalhão faz parte do CPI-10, o Comando de Policiamento do Interior 10, do qual também faz parte o 28º BPM-I de Andradina.

Dentre suas principais metas no comando do Batalhão estão o incentivo a maior utilização do CEJUSC – núcleo de mediação comunitária da PM implantando em Araçatuba -, além de incentivar a patrulha Maria da Penha – que atende mulher vítimas de violência -, e o Proerd (Programa Educacional de Resistência e Prevenção às drogas) com crianças do município.

Ex-futura médica

Em conversa com a reportagem do jornal O LIBERAL, a tenente coronel PM Adriana Beluzzo comentou que durante a adolescência queria prestar medicina, mas foi convencida pelo pai a entrar na polícia, apenas como teste para os vestibulares. Ela conta que se empolgou conforme foi avançando nos testes e não largou mais a polícia até aqui.

“A profissão sempre foi motivo de muita admiração na minha família, tenho vários tios, primos que são policiais militares, bombeiros, sempre gostei dessa área. Mas confesso que até o colegial eu ainda pensava em fazer medicina. Mas quando eu estava no terceiro ano meu pai falou ‘eu sei que você está à beira dos vestibulares aí, você poderia estar prestando a academia do Barro Branco, que é um vestibular também, até como treineiro’. Na época, meu esposo, o Tenente Coronel Beluzzo, ela era namorado, fiz a proposta pra ele pra gente prestar esse vestibular. Eu querendo medicina e ele querendo odonto. E a gente foi passando em todas as fases, no exame físico, psicológico, a gente acabou se animando porque os dois passaram”, contou a tenente Adriana.

A nova comandante do 2º BPM-I comentou que escolheu ficar na polícia para seguir próxima ao marido, já que como cada um queria fazer um curso superior diferente, provavelmente teriam que se separar para os estudos.

“Às vezes eu vou fazer medicina em Ribeirão Preto, em Bauru, sei lá onde poderia fazer, e o marido em outra cidade, então resolvemos ficar no Barro Branco pra ficar os dois juntos, uma profissão muito digna que a gente já admirava. Nós entramos e amamos, a gente seguiu essa carreira justamente porque a gente se encontrou nela”, explicou.

Mulheres na polícia

Comandando o 2º BPM-I, a tenente afirma ter recebido diversas mensagens de outras mulheres após sua nomeação para o cargo. Adriana Beluzzo afirmou se sentir orgulhosa ao inspirar outras mulheres através de sua promoção.

“Eu estou feliz porque sou nascida e criada aqui, é motivo de orgulho. Eu recebo muitas mensagens e eu achei interessante. Mulher que eu nunca vi, que eu não conheço, entram nas minhas redes sociais pra falar ‘olha, não te conheço, mas estou orgulhosa de você’, é muito bacana e gratificante a gente ver que conseguiu chegar a esse posto e com ajuda de todos”, se orgulhou.

A tenente coronel acredita que cada vez mais mulheres farão parte dos efetivos, isso porque atualmente a seleção de candidatos às vagas independe do sexo. Ela conta que, quando passou para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco, eram apenas 13 vagas para mulheres e a concorrência era de 169 pessoas por vaga.

“Teve uma época que o Barro Branco era mais concorrido que o curso de medicina da USP, isso porque tinha poucas vagas. Hoje não, para entrar na polícia, pode ser de qualquer sexo, abre 200 vagas, 2 mil vagas por concurso, independente do sexo. Por isso que vem aumentando gradativamente o número de policiais femininas na corporação como um todo”, explicou.

Ela crê que, em breve, outras mulheres também ocuparão posições de comando, exatamente pelo crescimento no número de mulheres na corporação.

“A mulher hoje está em todas as funções. É que aqui, eu sou a primeira a estar ocupando essa posição de comando, mas a tendência é que venham outras. Hoje tem a tenente Emily, no comando da Força Patrulha aqui no meu batalhão, e ela também deve seguir os meus passos, deve ser capitão e quem sabe comandar também o 2º Batalhão um dia”, citou a comandante.

Objetivo no comando

A tenente coronel Adriana Beluzzo se formou em São Paulo e atuou por 2 anos na Capital Paulista, onde participou da expansão do Proerd, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência. Ela afirma ser um dos seus objetivos trabalhar pela manutenção do programa em Araçatuba.

“Quero continuar o trabalho que já vinha sendo feito com toda a equipe aqui do 2º Batalhão, que é muito boa por sinal, e com certeza enfatizar alguns pontos, como o Proerd, porque eu já dei aula pra criança, sei da importância, desde então eu formo policiais para trabalhar com isso, é um programa que eu acredito. Tão logo voltem as aulas normalmente eu quero que 100% das crianças voltem a ser atendidas pelo programa”, projetou.

A tenente coronel também quer enfatizar outros pontos, como o CEJUSC, núcleo de mediação comunitária em parceria com o poder judiciário. O programa, que foi implantado em Araçatuba no ano de 2016 em forma de parceria, hoje é referência do país. Ela também cita que deve incentivar a patrulha Maria da Penha, para atendimento a mulheres vítimas de violência na área de abrangência do batalhão.

“Quero incentivar muito a utilização do nosso CEJUSC, que é o nosso núcleo de mediação comunitária aqui, porque temos o convênio com o judiciário e o governo do estado, os acordos que as partes fazem e mediação comunitária são homologados pelo juiz. Isso é bacana porque as partes já saem daqui com o título executivo judicial, isso é muito importante. A gente quer incentivar tudo, a patrulha Maria da Penha, que os policiais fazem atendimento especializado para mulher que é vítima de violência patrimonial, moral, física” contou a tenente.

Além disso, ela citou também que seguirá todas as diretrizes da PM do estado de São Paulo no comando do Batalhão.

“A missão nossa é de combater o crime, proteger as pessoas, então a gente tende a ter essa tônica em toda a corporação”, completou.

 

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