NÃO SOFRA COM ANTECIPAÇÃO

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Thiago Agostinis Cândido

Ficamos, muitas vezes, atrelados ao pensamento pessimista de estourarmos o cartão de crédito ou até mesmo nosso orçamento familiar, de acontecer algum acidente a qualquer momento, de adoecer nossos pais, filhos e avós, bem como de não nos apaixonarmos ou de sermos traídos a qualquer momento; e, enquanto isso, a vida passa rápida, quase depressa e não aproveitemos todas as oportunidades do aqui e agora para sermos felizes, de vida plena e satisfatória.
É fato que o mundo está cada vez mais ameaçador, violento, ao ponto de nos deixarmos apreensivos na incerteza de que a, qualquer momento, algo ruim possa vir acontecer conosco e com nossos familiares. Tememos sempre pelo pior, e, consequentemente, nos travamos frente a alegria de um dia diferente. Somos rodeados continuamente de notícias sem esperança, bem como a desvalorização do desemprego, o aumento da pandemia, a diminuição do poder de compra, o aumento de assaltos, de diversos acidentes, de mortes, dentre muitos outros.
Neste cenário, agregam-se, dentro de nós, inseguranças, incertezas quanto a possibilidade de nos tornarmos personagens principais de tais experiencias, o que nos deixa pessimistas quanto aos dias seguintes, cujo futuro é incerto, mas pode ser feliz e libertador. Deixamos de lado sonhos que nos fortalecem e nos motivam frente a esperança de um mundo melhor. Temos medo do dia, mês e ano seguinte e, esta é a verdade.
Podemos afirmar, que sofrer antecipadamente pelo que possa acontecer em nossas vidas é literalmente inútil, pois nos tornam pessoas paralisadas frente as diversas oportunidades de alcançarmos a felicidade naquele momento, naquele dia, naquela hora, com as pessoas que amamos, que nos divertimos, que trabalhamos. Não podemos nos preocupar com o amanhã, visto que deixamos de viver o que temos conosco no presente, antecipando pensamentos ruins, infelizes e insertos.
Sofrer pelo o que não aconteceu é muito mais doloroso do que sofrer pelo que aconteceu. O ato de sofrer antecipadamente por algo, seja lá o que for, nos impedem de avançarmos como pessoas, nos tornando medrosos, carentes e imaturos. Ao invés de nos prepararmos para o futuro, choramos antes dele e, por conseguinte, atraímos um futuro inserto, melancólico e conflituoso de se viver. Perdemos inúmeras chances de amar, de conhecer pessoas e lugares, de sorrir para alguém, de contemplar a natureza, de viver como deveríamos viver. Esquecemos que a vida é feita de permissões e não nos permitimos viver um dia de cada vez, haja visto o aprisionamento antes do acontecer.
Habituar-se neste cenário, não significa que devemos sair por aí vivendo a libertinagem, sem conduta ética e moral, sem projetos, sem planos ou sem nos preparamos para um futuro melhor. Não! Absolutamente não! Programar ações é extremamente necessário, no sentido de que a vida é um eterno projeto e nós devemos cumprir com ousadia e determinação, basta planejamento e esperança, entretanto, sofrer por algo que não aconteceu é cavoucar um futuro de incertezas. Permita-se, assim dizendo, viver o real, viver o agora, o momento, pois é disto que nos terá valido a pena e que perpetuará nesta terra quando partirmos.

Thiago Agostinis Cândido, prof.essor de Filosofia, Psicopedagogo, com especialização em educação clínica pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).


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