2020

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O ano chegou à geração do pavor,
onde o passado é a morada segura.
Tempo da colheita de amores congelados.
Onde o “eu te amo” tornou-se raro.
Porque o banal virou sinônimo de natural.
Onde as lágrimas já não são mais de emoção, apenas dor.
E as pernas acompanham o ritmo fúnebre.
Num mundo estranho, somos ovelhas pedidas do rebanho.

O grito de reação não encontra forças, é tudo em vão.
A escuridão revela o exílio abraçado à solidão,
brotando no peito dilacerado a morte da compaixão.
Sois o reflexo de lástimas, anestesiados não há mais dor.
A esperança é apenas dogma do passado, não mais radicado.

O que são anos de vida restantes? Não mais importa.
As correntes do medo já não pesam em nossas costas,
e os braços frágeis seguram o último cálice de esperança.
O mundo desce ladeira abaixo sem freios,
refém de almas sebosas sem qualquer pudor e encanto.
Enquanto alguns sábios, ainda arrastando entre a penumbra e a luz,
preferem morrer a ter que cultuar a morte alheia.

O tempo em questão não causa mais dor, suor nas mãos, nem decepção.
No palco da vida habitam agora zumbis sem emoção.
Apenas vivemos como almas que vagam sem sentido, apenas por viver.
A morte não mais assusta, apenas coloca um ponto final.

Fábio Ricardo Ambrósio
é advogado, empresário e poeta. Tem mestrado em Direito Internacional Bancário e Financeiro


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