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Juvenal Paziam – trabalho molda o caráter e a personalidade dos homens

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ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

Filho mais velho dos agricultores Genedina Zanella Paziam e Orlando Paziam, o professor aposentado Juvenal Paziam vai completar no dia 9 de agosto 84 anos. Ele começou a trabalhar aos sete anos com a mãe para cuidar de mil pés de café na fazenda de Anze Molize, na Água Limpa, em Araçatuba. Aposentou-se em 1984, mas ainda trabalhou bastante tempo em empresas e na Prefeitura de Araçatuba. Hoje ainda mantém rotinas de trabalho na residência, ao lado da esposa Neusa Vieira Paziam e como conselheiro fiscal da Santa Casa. Orgulha-se e com razão, de ser o criador da Bandeira de Araçatuba, instituída oficialmente por meio da Lei 1769 de 19 de junho de 1974.

Juvenal Paziam nasceu em Bilac. Aos cinco anos, mudou-se com a família para a Água Limpa. Seu pai era carroceiro da fazenda e sua mãe era colona, responsável por mil pés de café. “Aos sete anos eu ia para a roça para rastelar a saia do pé de café”, disse Paziam, que pouco tempo depois foi trabalhar na farmácia mantida na fazenda. Seu salário era de 60 cruzeiros.

Em 1948 concluiu o primário, em 1949, aos 13 anos, a família mudou-se para Araçatuba. Juvenal Paziam foi trabalhar no Salão de Barbeiro Minerva, de Braz Lopes Perez. “Trabalhei um ano de graça para aprender a profissão. Isso era muito comum na época. As crianças e adolescentes trabalhavam de graça com sapateiros, tintureiros, seleiros, alfaiates, mecânicos e outros, para aprender a profissão”, contou ele. Um ano depois começou a trabalhar como barbeiro, já remunerado. Atuou também em outros salões. “Ficava com 60% do faturamento. Os outros 40% eram do proprietário do salão. O faturamento era de pouco mais de um salário mínimo”, disse.

Quando completou 18 anos, em 1954, tornou-se motorista profissional. Foi trabalhar com um caminhão basculante transportando pedra para o início da pavimentação de Mirandópolis. Porém, 1955, então com 19 anos, teve que deixar o ramo de transporte, por foi servir o Tiro de Guerra. Neste período, voltou a atuar como barbeiro.

Em 1956, tendo concluído o serviço militar, Juvenal Paziam ingressou na Cooperativa de Consumo dos Ferroviários da Noroeste do Brasil, que funcionava onde hoje está o camelódromo. Trabalhava em descarregar os vagões.

A sua vida começou a mudar bastante a partir do momento em que os colegas da cooperativa o estimularam a voltar a estudar. Em 1957 cursou a admissão (período que antecedia o ginásio). No período de 1958 a 1961, fez o ginásio profissionalizante do Comercial Básico voltado à contabilidade, na Escola Técnica de Comércio D. Pedro II, dos professores Fausto Perri e Joaquim Dibo. De 1963 a 1965, na mesma escola, fez o curso Técnico de Contabilidade.

Com o retorno aos estudos e com dedicação ao trabalho, sua trajetória profissional na cooperativa começou a mudar. Deixou o serviço de descarga e passou para o escritório. Chegou a chefe geral do escritório e desligou-se em 1975, após duas décadas de dedicação e trabalho.

Em janeiro de 1966 casou-se com a professora da escola D. Pedro II, Neusa Vieira Paziam. Em março do mesmo ano, devido ao seu desempenho como aluno e profissional, foi convidado pela mesma escola para dar aula de Contabilidade Pública. Assim, durante o dia trabalhava na cooperativa e à noite, era professor. Em 1967, participou Instituto Americano de Lins (IAL), do Curso de Aperfeiçoamento de Ensino Comercial, ministrado por uma banca do então Ministério da Educação e Cultura, sendo habilitado para ministrar aulas de Contabilidade Geral e Aplicada e Contabilidade Comercial. Em 1968, no mesmo local, também com banca do Ministério da Educação, participou do Curso de Práticas de Escritório e Práticas de Comércio.

Em 1973, Valdir Felizola de Moraes, ao assumir a Prefeitura, o nomeou como diretor de Compras e Patrimônio. Juvenal Paziam ficou afastado por dois anos (sem remuneração) da Cooperativa, da qual desligou-se em 1975 e por conta dos trabalhos na Prefeitura, também deixou de dar aulas.

“Fiquei na Prefeitura nos governos de Valdir Felizola de Moraes, Oscar Luiz Gurgel Cotrim e Antônio Saraiva”, disse Paziam, lembrando que Cotrim deixou a Prefeitura para se candidatar a deputado estadual e o mandato por encerrado por Antônio Saraiva.

Com a chegada de Sidney Cinti à Prefeitura, em 1983, ele deixou a Prefeitura. A convite de Juvêncio Dias Gomes e do presidente Omar , foi trabalhar na Aralco. Aposentou-se em 1984, mas continuou trabalhando. Voltou à prefeitura em 1989 no governo de Germínia Venturolli, continuou no governo de Domingo Andorfato e em encerrou sua atividade no setor público no segundo mandato de Germínia Venturolli, terminado em 2000. A partir daí teve trabalhos na Vidraçaria Real, de Tim Ussuy e na Marmoraria Laluce.

 

CRIAÇÃO DA BANDEIRA

Segundo Juvenal Paziam, em 1973, o advogado Alfredo Yarid Filho foi nomeado interventor na Prefeitura de Araçatuba devido ao afastamento de João Batista Botelho, o João Cuiabano. Como a cidade não tinha bandeira, Yarid instituiu um concurso. O vencedor foi Jorge Mayoca, mas por alguma razão, a bandeira não foi oficializada.

“Em 1974, recebi do prefeito Valdir Felizola de Moraes a missão de criar a bandeira de Araçatuba. Não conhecia heráldica e passei a ler e pesquisar sobre o assunto. A primeira concepção de bandeira foi com o Tietê separando Araçatuba e Santo Antônio do Aracanguá. Porém, logo desisti, pois naquela época o vereador Evaristo Nascimento já ensaiava a luta pela emancipação. Por isso desisti”, conta Paziam.

‘A Bandeira é composta por nove faixas nas cores branca e azul royal, um retângulo azul no canto superior esquerdo ponde se insere um mapa estilizado do Estado de São Paulo com o Brasão de Armas do município. O mapa do estado é porque Araçatuba está situada dentro do Estado de São Paulo. O Brasão de Armas representa as tradições do município. As nove faixas representam a 9ª Região Administrativa do Estado, da qual Araçatuba é sede. O branco simboliza a paz e a harmonia que imperam no município e o azul royal simboliza o céu aberto onde o amor faz com que o município trabalhe e progrida a todo instante”, afirmar o criador da bandeira, criada oficialmente em 1974.

 

AÇÃO SOCIAL

Juvenal Paziam foi membro do Lions Clube de Araçatuba por 16 anos. Desde 1984 é irmão definidor da Santa Casa de Araçatuba e há 10 anos, é conselheiro fiscal ao lado do advogado Reinaldo Caetano da Silveira.

Como membro do Lions e como pessoa dedicada ao trabalho desde a infância, Juvenal Paziam foi autor de moção ao ministro do Trabalho da época, pedindo autorização para que os menores pudessem trabalhar. “A educação parte de casa, mas é complementada na escola e no trabalho”, disse Paziam, enfatizando que por meio do respeito ao professor se formam bons cidadãos. “Pelo trabalho se molda o caráter e a personalidade dos homens”, disse o professor aposentado e que trabalha desde os sete anos de idade.

 

FAMÍLIA

O casal Neusa e Juvenal Paziam teve três filhos: Eduardo Vieira Paziam, Heloíza Vieira Paziam Fernandes Nunes (casada com Frederico Fernandes Nunes), residente em Araçatuba e Renato Vieira Paziam (casado com Borbora Paziam), residente em Londres (Inglaterra), onde  tem um bar e restaurante (Made in Brasil). O casal tem duas netas: Izabella (filha de Heloísa e Frederico) e Rebecca (filha de Renato e Borbora).


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