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segunda-feira, junho 27, 2022

EDUCAÇÃO E LUSOFONI

ANTÔNIO MONTENEGRO FIÚZA

«É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.(…)»
“É urgente o amor”, Eugénio de Andrade, poeta português, excerto inicial

O mundo precipita-se numa correria louca: todos tem pressa, todos tem pressa! Já estamos atrasados quando acordamos, afinal, o planeta manteve a sua rotação habitual e houve quem começasse a trabalhar, ainda mal o sol havia nascido, por estas latitudes.

As buzinas dos carros, o ônibus cheio, as conversas em tom de emergência, milhentos e-mails para responder, centenas de reuniões, dezenas de chamadas e um só dia… Amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos (até!) exigem a nossa presença, o nosso retorno… a casa, o trabalho, os animais de estimação, o jardim, o mundo… todos clamam por nós e nós… clamamos por nós mesmos, também… sem resposta.
E num mar de solicitações intermináveis, numa enxurrada de compromissos e obrigações precisamos parar e entender o que é urgente, o que é prioritário, o que realmente importa.

«(…)É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.(…)»
“É urgente o amor”, Eugénio de Andrade, poeta português, excerto intermédio

A verdadeira urgência, prioridade sobre todas as de maior importância, é a de exercermos o amor, aonde quer que estejamos. É urgente a construção de um novo mundo: no qual imperem o cuidado, a empatia, a tolerância, a igualdade, a acessibilidade. É urgente que nos desliguemos dos preconceitos e de tudo o que nos possa afastar e dividir, enquanto seres humanos, enquanto irmãos. É imperativo que o mundo trilhe novos caminhos, que se construam novas veredas aplainadas, acessíveis a todos quantos as queiram trilhar.

É urgente o amor, o qual deve deixar de ser apenas uma palavra no dicionário, um substantivo abstrato e com quase nenhuma aplicação prática. Utilizemo-lo como adjetivo, na nossa interação com o próximo, usemo-lo como ferramenta e utensílio; que seja o nosso estilo de vida.

Ainda que as mãos estejam cansadas, calejadas de tantas lutas, de tantos combates, que possamos redigir a palavra “amor” em todos os nossos atos e gestos. Ainda que padeçam os ombros, sob o peso e a responsabilidade que jaz sobre cada um de nós, revigoremo-nos por um pouco mais, alcemos as nossas vozes e as nossas mentes: é urgente.
É urgente o amor, é urgente amar!

«(…)Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.»
“É urgente o amor”, Eugénio de Andrade, poeta português, excerto final

 

Antônio Montenegro Fiúza é CEO – Chief Executive Officer do Grupo Lusófona Brasil

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