HISTÓRIA - Santa Casa de Araçatuba foi marco na ocupação da Vila Mendonça

AOS TRABALHADORES DA VILA MENDONÇA DOS ANOS 50

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ARACI ROSALINO

“O que temos feito por nos mesmos morre conosco; o que temos feito pelos outros e pelo mundo permanece imortal.” Albert Pike

Como um filme projetado na tela da minha infância, rendo uma memorável homenagem aos trabalhadores que contribuíram com a expansão de nossa cidade.
No decorrer dos anos 50, ainda criança, observava o transito de pessoas, carroças, bicicletas e esporadicamente algum veiculo motorizado na Vila Mendonça, mais exatamente na Rua Mato Grosso e adjacências.
A dinâmica da vida simples e modesta, envolta numa atmosfera de valores e conceitos sólidos, com parâmetros e exemplos, transcorria a passos lentos. Mesmo com a vida moderna, a tecnologia, o tempo célere, a inversão de valores e a superficialidade das relações humanas, as lembranças são imorredouras.
Assim, com todo carinho e profundo respeito, na passarela das minhas reminiscências, os personagens desfilam no tapete de terra e pedras soltas das ruas ainda sem asfalto.
Logo pela manha, na sua carroça, o Guerino fazia a entrega do leite in natura, a seus assíduos clientes; na sequencia o Sr Luiz, português, sempre com camisa preta, em luto permanente a viuvez, oferecia verduras frescas, do alto da carroça, mandava em bom som “verdurá”; a Sra. Maria japonesa, concorrente, abastecida de legumes e frutas, cobertas por um pano úmido, sempre com sorriso reluzente mostrando os dentes de ouro.
Assim como os vendedores ambulantes, incansáveis, percorrendo as ruas, trabalhadores de outras áreas também iniciavam a luta diária.
O Sr. Manuel Guimarães Dias, sempre elegante, trajando calca de linho, sapatos bem engraxados, seguia para seu escritorio, era despachante; o Sr. Horácio dos Reis Rodrigues, para o seu armazém de secos e molhados, com o cigarro “acomodado”na orelha, pronto para o consumo; o Sr Mamed Mamud, o Salim e a esposa Dona Lena, no comando do armazém, também de secos e molhados; o Amantino, tintureiro, com esmero cuidava dos ternos da clientela cativa; o Amador, alfaiate, confeccionava ternos elegantes; o Sr Argelim e família, no comando da Padaria Marabá; o Sr Luiz, encanador, com seu macacão azul, na bicicleta de cargas, transportando a caixa de ferramentas; na construção civil e reformas de edificações, muitos eram os trabalhadores como o Sr. Sebastião Solera e seus filhos; os irmãos Lair e Tico; os irmãos João, Guido e Aleixo Mazini e o Sr. Aurelino Martins; o Sr. Euclides Martineli, motorista da empresa Dias Martins; no transporte de cargas e até mudanças, com suas carroças de tração animal os Srs. José Pêrego, Osmiúdo e Apolonio, muito solicitados e, incansáveis na função, era a logística dà época; o Sr. Carlos, mecánico da oficina de caminhões do Sr. José Dionisio; o Sr. Gabriel, mesmo com deficiência física, era funcionário da Fazenda do Estado, hoje Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade; o Sr. Nicanor era o condutor da charrete da Santa Casa, responsável pelo transporte das freiras; o Sr. Odílio Pereira de Queiroz, contador da Santa Casa e da escrita fiscal da Sapataria São Pedro, do Sr. Pedro Rosalino, meu pai; os irmãos Atilio e Florisvaldo de o Cesar Florentino funcionários da Cerâmica Corbucci.
Em tempos de altas taxas de desemprego, temos pouco para comemorar e muito a lamentar. Os homens cujos nomes citados são representantes da luta constante pela sobrevivência com toda dignidade e, muitos deles com prole numerosa.
O legado da honestidade e do caráter integro, permanecem sólidos nos seus descendentes, porque o tempo é incapaz de desfazer princípios que norteiam a verdade impregnada por exemplos que dignificam o HOMEM através do TRABALHO.

Araci Rosalino, professora aposentada de História e Geografia.

 

 


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