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    Home»Mundo»Brasil»Encontrado primeiro esqueleto completo no Cemitério dos Pretos Novos, no Rio
    Brasil

    Encontrado primeiro esqueleto completo no Cemitério dos Pretos Novos, no Rio

    By marcio123rocha5 de julho de 2017Nenhum comentário4 Mins Read
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    Após sete meses de escavações, foi encontrado o primeiro esqueleto inteiro no Cemitério dos Pretos Novos, sítio arqueológico descoberto em 1996 na região portuária do Rio de Janeiro. No local, onde hoje funciona o Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN), eram jogados os corpos dos africanos escravizados que morriam na travessia marítima para o Brasil.

    As escavações ocorreram em uma área de 2 metros quadrados (m2) de um dos poços de observação do cemitério. O trabalho foi coordenado pelo arqueólogo Reinaldo Tavares, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os pesquisadores identificaram que a ossada é de uma mulher que morreu com aproximadamente 20 anos, no início do século 19, portanto, há cerca de 200 anos. O esqueleto encontrado no Cemitério dos Pretos Novos recebeu o nome de Josefina Bakhita, em homenagem à primeira santa africana da Igreja Católica.

    Tavares explica que o fato de ser uma mulher é surpreendente, pois apenas 9% dos africanos escravizados trazidos para trabalharem no Brasil eram do sexo feminino. Ele destaca que a posição em que ela foi encontrada, entrelaçada a outros restos mortais, comprova a forma desumana com que os africanos eram tratados. Os corpos eram empilhados e queimados sem proteção, cuidado ou respeito. “O indivíduo passa a contar a sua história. Não são somente ossos esparsos e quebrados, como até então havíamos encontrado. Agora estamos encontrando os indivíduos. Isso é muito importante, porque, pela primeira vez, estamos encontrando os africanos que chegaram ao Rio de Janeiro”.

    O cemitério funcionou entre 1769 e 1830, quando foi desativado, e ficou escondido até 1996, quando a proprietária da casa construída sobre ele, Merced Guimarães, encontrou restos mortais durante uma reforma no imóvel. “No início a gente achou que eram pessoas da casa que haviam sido enterradas ali. Aí a gente ficou pensando [no que fazer] e fomos até o Centro Cultural José Bonifácio [municipal, dedicado à preservação da cultura afro-brasileira]. Lá eles falaram que aqui era o antigo cemitério dos escravos”.

    A descoberta ocorre às vésperas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciar se o Cais do Valongo, também na região portuária do Rio, por onde se estima que tenham desembarcado no país cerca de 1 milhão de africanos escravizados, receberá o título de Patrimônio Mundial. O anúncio está previsto para ser feito no dia 7 ou 8 de julho. O local já é registrado como sítio arqueológico nacional pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

    VERBA
    Apesar de ser um dos principais pontos históricos relacionados à história da diáspora africana, o trabalho do instituto está ameaçado pela falta de verbas. De acordo com Merced, que dirige a entidade, o aporte de R$100 mil solicitado à prefeitura foi negado. “Aqui tem que ter uma verba de custeio, a prefeitura não tem isso, a não ser por lei. Quando passar de agosto, não sei se a gente vai conseguir manter isso aqui aberto. Se não for o tempo todo, vamos abrir pelo menos algum dia da semana. E sem luz”.

    De acordo com a Secretaria Municipal de Cultural, o IPN recebia verba da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), mas o acordo de repasse venceu em março. A secretaria informa que, por enquanto, não há orçamento destinado ao instituto, mas que isso será resolvido em breve com auxílio da prefeitura. Também será oferecida consultoria para que o espaço se torne autossustentável.

    Além disso, a secretaria explica que o IPN tem recebido apoio e suporte da pasta para, por exemplo impressão de material e realização de atividades no Centro Cultural José Bonifácio. O IPN também está envolvido no projeto de territorialidade do Museu da Escravidão e da Liberdade, a ser implantado na região portuária. A secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira, falou sobre o projeto do museu na semana passada.

    Da Redação

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