14.4 C
Araçatuba
quarta-feira, maio 18, 2022

J&F E PAPER EXCELLENCE BRIGAM NA JUSTIÇA PELO CONTROLE DA ELDORADO

A Paper Excellence ajuizou ação no dia 14 de agosto, em São Paulo, para garantir a aquisição da fatia de 50,59% da Eldorado Brasil, indústria de celulose de Três Lagoas. A fatia ainda pertence à J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O processo corre em segredo de Justiça. A disputa pode ser substituída por arbitragem caso as partes não cheguem a um acordo sobre a venda do controle da Eldorado.
Segundo fontes próximas à operação, na ação, a PE alega que a J&F não cooperou para o cumprimento de condições precedentes, como prevê o contrato assinado em 2 de setembro do ano passado, e não aceita o preço acertado há 12 meses, de R$ 15 bilhões menos a dívida, com ajuste pela variação do caixa e correção pela Selic.
A defesa da J&F é que a empresa estrangeira não conseguiu liberar garantias de R$ 8 bilhões que prestou em dívidas da Eldorado, condição fundamental para consumar a aquisição do controle. Assim, descumpriu o contrato e não tem direito de comprar as ações nas condições previamente acertadas.
De fato, as dívidas da Eldorado não foram pagas e as garantias da J&F seguem atreladas a esses compromissos. Mas as versões de compradora e vendedora divergem. Enquanto a PE diz que propôs diferentes meios para quitar a dívida da Eldorado e que a holding dos Batista dificultou a liberação das garantias, a J&F alega que, ao fracassarem na renegociação com credores da Eldorado, os asiáticos insistiram em uma estrutura de operação sem previsão contratual, com recursos próprios.
A proposta seria transferir o valor necessário para honrar esses compromissos para a própria Eldorado, mais de R$ 6 bilhões, por meio de aporte de capital ou empréstimo da PE, que se tornaria credora da brasileira.
Esse dinheiro seria usado no pré-pagamento das dívidas, com consequente liberação das garantias. A J&F recusou a proposta, sob a justificativa de que traria riscos a sua posição na empresa. E teria oferecido prorrogação de 30 dias ao prazo estabelecido no contrato, levando para outubro a data final da operação.
Nos 12 meses que passaram de convivência respeitosa a litígio, o aumento dos preços da celulose e o câmbio valorizaram a companhia brasileira e compõem o pano de fundo da disputa. A interlocutores, a J&F diz que está disposta a continuar negociando o controle da Eldorado com a PE, mesmo que a empresa não consume a transação até 3 de setembro. Mas as condições de preço serão outras. Ao recorrer à Justiça, a PE pretende garantir o valor de venda acertado há um ano.
Com um plano de expansão engatilhado, a empresa pode perder o momento ideal de execução do projeto para uma concorrente.
A PE já desembolsou R$ 3,8 bilhões por 49,41% das ações da Eldorado, detidas pela própria J&F, fundos de pensão Funcef (da Caixa) e Petros (da Petrobras) e FIP Olímpia, do ex-presidente da companhia José Grubisich. Os recursos totais necessários à operação, R$ 4,4 bilhões pelas ações e R$ 6,8 bilhões para dívidas, está disponível no Brasil, conforme a empresa, que pertence a Jackson Wijaya, da mesma família que é dona da Asia Pulp & Paper. Procuradas, J&F e PE não comentaram o assunto por estar em segredo de Justiça. (Com Informações do Valor Econômico)

DA REDAÇÃO
Três Lagoas

Ultimas Noticias