O debate sobre a legalização de cassinos e bingos segue em curso no Senado Federal. O relator do Projeto de Lei 2.234/2022, senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO), tem defendido a proposta que autoriza a instalação desses estabelecimentos em todo o território nacional.
Segundo o parlamentar, a medida representa uma oportunidade de expansão econômica e social, capaz de gerar mais de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos e arrecadar cerca de R$ 20 bilhões em impostos por ano.
Além da geração de postos de trabalho, o senador argumenta que a regulamentação ajudaria a retirar essas atividades da clandestinidade. Atualmente, bingos e outros formatos já funcionam de forma irregular em diversas cidades brasileiras. Para Irajá, a formalização abriria caminho para fiscalização efetiva e para a destinação de recursos a áreas estratégicas como saúde, educação e segurança pública.
A pauta, no entanto, ainda enfrenta resistência no Congresso. Parte dos parlamentares defende uma análise cautelosa sobre os impactos sociais, enquanto setores econômicos enxergam no projeto uma forma de aproximar o Brasil de modelos já adotados em países vizinhos.
O senador ressalta que a proposta prevê inicialmente a instalação de um resort cassino em cada estado, com exceção das unidades da federação mais populosas (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e dos estados mais extensos (Amazonas e Pará), que poderiam receber duas ou três licenças.
Plataformas já oferecem jogos de bingo ao vivo
Dados do setor digital indicam o interesse crescente dos brasileiros por diferentes modalidades de entretenimento regulamentado. Segundo levantamento publicado pela KTO, jogos de bingo ao vivo têm um público cativo.
Títulos como Golden Tiger: Jackpot Fortunes e Mega Bola da Sorte alcançaram percentuais de popularidade superiores a 1%. A participação é similar ao de outros game shows oferecidos nas plataformas regulamentadas e superior às mesas de blackjack, clássico dos cassinos online.
Esse movimento reforça a percepção de que a demanda por experiências de jogo é significativa tanto no ambiente virtual quanto no físico. O senador Irajá sustenta que, se regulamentado, o mercado nacional poderá atrair turistas estrangeiros.
O exemplo já ocorreu em países que legalizaram os cassinos, como Uruguai e Chile, onde houve aumento do fluxo internacional de visitantes nos últimos anos. Mesmo sem esse atrativo, o Estado de São Paulo bateu recorde de visitantes estrangeiros no primeiro trimestre de 2025.
Ministro defende regulamentação
Em paralelo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também defendeu a regulamentação de cassinos e bingos. Em entrevista, ele classificou como uma “inversão de prioridades” o fato de o país já ter regulamentado as apostas online antes das presenciais.
Para Haddad, a experiência física seria mais controlada e poderia gerar empregos, atrair turistas e fortalecer polos econômicos específicos, ao mesmo tempo em que afastaria o financiamento de atividades ilegais.
Enquanto o projeto aguarda votação no plenário do Senado, o tema segue em pauta no cenário político e econômico. A discussão se insere em um contexto mais amplo de regulamentação de apostas, iniciado com as plataformas digitais, que já movimentam bilhões de reais e atraem milhões de usuários em todo o país.



