PONTO DE VISTA

Compartilhe esta notícia!

“A pressa faz a falta de tempo

Sou filho de engenheiro civil e lembro bem na minha infância de uma frase muito repetida pelo meu pai, quando eu ou o Beto (meu irmão) tentávamos um meio mais fácil de fazer as coisas, mas que em seguida levava a algum tipo de retrabalho. Daí o prazo que já era exíguo, acabava extrapolando e gerando uma série de transtornos, como chegar atrasado na aula porque ficamos com preguiça de verificar a apostila correta na mochila, antes de sair de casa.

A frase acima encaixa perfeitamente no contexto social e, da mesma maneira, no contexto político-administrativo das ações estruturantes da nação, tais como: ferrovias, portos, aeroportos, rodovias, óleo e gás, telecomunicações e saneamento básico.

A superficialidade das discussões que precedem a edição de leis que visam regulamentar os mercados é um tipo de pressa que gera ônus para as próximas gerações. Há no Brasil, ainda, uma cultura defasada e proposital de se atropelar audiências públicas, reduzindo o engajamento social e respectivo controle, o que viabiliza projetos não aderentes às necessidades do povo – verdadeiro paradoxo ao parágrafo único do artigo 1° da nossa constituição.

Hoje, em 2021, estamos então discutindo como despoluir nossos recursos hídricos, melhorar os serviços de Telecom, ampliar nossa logística de transportes e produzir energia limpa e barata. Mas de onde deriva tanto atraso ?

Decisões equivocadas do passado, dolosas ou culposas, saquearam nossos recursos financeiros e, principalmente, a comoditie mais estratégica de todas: o tempo. Nossa pressa consumiu um tempo precioso, perdemos uma década do século 21, ou seja, 10% do século jogado fora por incapacidade da sociedade em se organizar e fazer o que tem que ser feito.

A pandemia só agrava este processo e escancara o óbvio – que não existe salvador da pátria e que a riqueza vem do trabalho de cada cidadão – triste episódio de nossa história em que paramos para discutir se devemos ou não tomar uma vacina, meses e meses num samba de uma nota só. Gastando tempo para depois correr atrás dele, aprovando reformas às pressas, tornando o tempo ainda mais escasso no futuro.

Uma empresa dita como revolucionária disse há um tempo atrás que na era digital atira-se a flecha e depois corrige-se sua rota durante o caminho. Não a toa, esta empresa vem alçando voo de galinha no mercado, perdendo para as estratégias mais embasadas e planejadas, o nosso bom e velho mundo analógico que, ainda, faz a diferença.

Gustavo Carneiro Ariano é engenheiro sanitarista, mestre em hidráulica e saneamento pela USP, especialista em regulação e fiscalização na ARSESP e escritor.


Compartilhe esta notícia!

Veja também

Região de Araçatuba recebe cerca de 20 mil doses de vacinas contra a covid-19

Compartilhe esta notícia!No final da tarde desta quarta-feira (7), o Departamento Regional de Saúde de …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *