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Incêndios atingiram 40 mil hectares na região

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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Anualmente, no período de maio a outubro (período mais seco e de baixas temperaturas), a Polícia Militar Ambiental de São Paulo desenvolve a Operação Corta Fogo, por meio da qual desenvolve ações de combate aos incêndios e intensifica as fiscalizações. Nessa sexta-feira o comando da 1ª Companhia da Polícia Ambiental, que abrange as regiões de Andradina e Araçatuba, divulgou o balanço da operação este ano. Os números surpreendem. São 40 mil hectares de áreas atingidas e mais de R$ 9 milhões em autuações. A Polícia Ambiental usou satélite para detectar focos de incêndio e fazer autuações.

No período, os focos de queimada observados em satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE), atingindo um resultado de mais de 1200 focos de sinistros examinados, sendo destes 450 do satélite de referência para análise de queimadas. A explicação é que em muitos casos, diversos focos pertencem a uma mesma queimada que pode durar até dias. “Após saneamento dos 450 focos apontados, chegou-se ao resultado de 135 incêndios de grandes proporções os quais foram combatidos, mensurados e inspecionados pelo efetivo técnico especializado de policiais militares”, diz a nota da Polícia Ambiental.

De acordo com a nota, com base no satélite AQUA-MT, satélite referência do INPE, atingiram cerca de 3660 hectares de vegetação de Mata Atlântica, 4270 hectares de áreas de preservação permanente e 32080 hectares de áreas de pastagens e de plantio de culturas canavieiras, dentre outras. “O total da soma das áreas atingidas equivale a aproximadamente 5700 áreas cobertas do estádio do Maracanã, sendo ressaltado que em 2020, o grande período de estiagem corroborou com o grande aumento dos danos averiguados”, acrescenta a nota.

Segundo a Polícia Ambiental, com base na Lei de Crimes Ambientais, a Lei Federal nº 9605 de 1998, bem como a Resolução SMA nº 81/17 e Portaria CFA nº 16/17, através dos critérios técnicos legais estabelecidos no ordenamento jurídico brasileiro e paulista, analisando inclusive denúncias e outras fontes de informação que levaram as equipes policiais ambientais aos locais das queimadas, foram arbitradas autuações que ultrapassaram os R$ 9 milhões, sendo que deste valor, aproximadamente R$ 3.840.000,00 oriundos somente dos focos observados no satélite AQUA-MT. Muitas áreas passarão pela apreciação da Polícia Civil e até mesmo do Ministério Público para outras ações.

“Os valores arbitrados nos Autos de Infração Ambiental podem ainda serem maiores, visto que a legislação ambiental prevê que, durante o processo administrativo, possa haver o aumento da indenização a ser paga em casos que o autor seja reincidente na conduta infracional. Além disto, os infratores são obrigados por lei ainda a realizarem a compensação ambiental do dano causado, cabendo ainda a possibilidade de responderem criminalmente pela degradação”, diz a Polícia Ambiental

 

NÚMEROS

A Polícia Ambiental trabalhou durante os seis meses de operação, tendo percorrido cerca de 275 mil quilômetros com suas viaturas oficiais na área dos 43 municípios pertencentes à área de atuação da 1ª Companhia, sendo ressaltado que denúncias podem ser feitas também às suas Unidades pelos telefones (18) 3519-3040 do 1º Pelotão de Araçatuba/SP, (18) 3741-9166 do 2º Pelotão de Castilho/SP, bem como enfatiza que existe ainda a possibilidade de realização de denúncias pelo site do Sistema de Gestão Ambiental – SIGAM.

 

 

 

 

Fogo mobilizou centenas de pessoas em várias cidades

 

Devido à longa estiagem e as temperaturas elevadas, foram registrados graves incêndios em toda a região e uma pessoa morreu. O fogo destruiu plantações, pastagens, áreas de preservação permanente e equipamentos. O combate ao fogo mobilizou brigadistas de prefeituras e usinas, Corpo de Bombeiros, voluntários e equipes contratadas. Muitos viram o perigo e a destruição de perto, como o brigadista de Castilho, Messias Donega, que nos últimos meses passou longo período no meio rural combatendo o fogo.

Além de brigadista, Donega faz trilha e percorre os rios e córregos da região. É um profundo conhecedor e ele fez um alerta muito sério. Os sucessivos incêndios estão reduzindo determinadas espécies vegetal. Até mesmo alguns animais estão desaparecendo. As queimadas de matas ciliares estão comprometendo também as nascentes e isso a médio prazo pode ter sérias consequências.

“Quem acompanha os incêndios a distância não sabe o que realmente está acontecendo. É algo preocupante”, disse Donega.

 

 


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