Em posse sem cerimônia, Sodário promete pacote de redução de gastos no começo de governo

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ARNON GOMES – MIRANDÓPOLIS

Foi numa sala bem estreita, com espaço apenas para uma mesa, três cadeiras e um armário que teve início, ontem, um novo ciclo na história de Mirandópolis. Na sala da direção da Câmara, o novo prefeito Everton Sodário (PSL) e o vice Ademiro Olegário dos Santos, o Mirão do Sisem (PSL), tomaram posse para um governo de 14 meses.
No espaço que, de tão pequeno, nem os próprios funcionários do Legislativo sabem o tamanho (estimam dois metros quadrados), seu presidente em exercício, Luciano Bersani (PTB), formalizou o ato, inicialmente a portas fechadas. Entretanto, diante da presença dos simpatizantes do “Bolsonaro caipira”, que o aguardavam no plenário, ao lado da “salinha” administrativa, as portas foram abertas.
Cerca de 70 pessoas, algumas com a bandeira do Brasil, compareceram ao parlamento. Elas não esconderam a decepção com a posse sem cerimônia e restrita. Porém, logo, abriram sorriso para saudar Sodário assim que ele foi oficializado prefeito. Do lado de fora da Casa, muitos fogos. Em discurso, Bolsonaro pregou união, prometeu novos tempos, pediu que orem por ele e cumprimentou sua equipe de diretores de departamentos. Mas foi aos jornalistas presentes que Sodário anunciou seu principal plano para o início de gestão: cortar gastos.
Em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL e à Rádio Clube FM, ele disse que, a partir da próxima terça-feira, colocará em prática um plano de contingenciamento de despesas. “O governo começa a despachar na terça-feira. Nosso foco é equilibrar as contas públicas. A cidade está deficitária sob o ponto de vista fiscal, com orçamento pequeno e muitas coisas a serem feitas. Temos prioridade de vermos as demandas de infraestrutura, dos bairros rurais, de saneamento básico… Então, as nossas primeiras medidas consistem no equilíbrio das finanças públicas. Vamos fazer um decreto de contingenciamento para redução de despesas e controle também”, anunciou.
Ele disse ainda não ter um valor exato do quanto pretende economizar. As metas, disse ele, serão fixadas em reuniões neste fim de semana. “Há muitas horas extras sendo feitas por servidores. Nós vamos, então, reanalisá-las, reavaliar todos os contratos da Prefeitura. Por 30 dias, vamos parar de fazer quaisquer pagamentos. Se houver constatação de superfaturamento ou qualquer problema, iremos rescindir o contrato”, declarou o chefe do Executivo, prometendo bastante “cuidado” no gasto com dinheiro público.
Com 26 anos, Sodário é o prefeito mais jovem do Estado e de Mirandópolis. Ele também é o primeiro prefeito eleito pelo PSL após a eleição do presidente Jair Bolsonaro, ocorrida há exatamente um ano. “Mirandópolis quis mudança. Com a minha idade, não tinha nada para ganhar essa eleição, mas a cidade, com Deus em primeiro lugar, me deu essa oportunidade. Agora, o que vale é a vontade de fazer a coisa acontecer”, afirmou.

 

Mandato-tampão traz desafio político a jovem prefeito

O início do mandato-tampão traz uma série de desafios a Sodário no campo político. O prefeito, que não esconde de ninguém o desejo de disputar a eleição municipal de 2020, assume a administração municipal num momento em que seu partido vive uma crise, marcada por ataques e acusações entre suas principais lideranças. Isso, no entanto, não lhe preocupa. “Quero que essa instabilidade se resolva. Mas disse e continuo repetindo: sou fiel ao presidente Jair Bolsonaro. Sou bolsonariano. Onde Bolsonaro for, eu o acompanharei”, afirmou Sodário, que, antes de virar prefeito, foi ativista político e, no ano passado, foi candidato a deputado estadual.
Ele também precisará ter boa articulação política. Na entrevista, Sodário afirmou ter um relacionamento tranquila com o Legislativo. Porém, isso não ficou muito claro para quem acompanhava sua posse.
Ontem, havia apenas cinco vereadores para prestigiar o ato de transmissão do cargo – o então prefeito interino, Carlos Ortega (MDB), também estava ausente. Ao explicar a falta de cerimônia no evento, o Luciano Bersani disse que até pensou em “fazer algo melhor”, mas afirmou que o clima político não favorecia isso. Segundo ele, críticas e ataques recentes de Sodário a vereadores criaram um mal-estar na relação. Nos bastidores políticos, há quem aposte que Sodário venha a governar, no começo, com mais oposição do que aliados.
Nesse contexto, Mirandópolis espera ter iniciado nesse 25 de outubro uma nova era. Sodário é o terceiro prefeito da cidade em apenas um ano. Em julho, TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou a cassação da então prefeita Regina Mustafa (PV) e do vice José Antônio Rodrigues (SD). Com isso, Ortega, então presidente da Câmara, assumiu interinamente a Prefeitura até que um novo processo eleitoral fosse concluído. “A população espera uma nova política, mais conservadora, e é isso o que vamos fazer”, finalizou Sodário.

 


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