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Casal dá detalhes de como assassinou e esquartejou corpo de advogado

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Em mais um capítulo sobre a chocante morte do advogado Ronaldo César Capelari, 53, a Polícia Civil de Araçatuba realizou na manhã dessa sexta-feira (17) mais uma coletiva de imprensa para detalhar as mudanças nas investigações sobre o crime. As prisões da jovem Laís Lorena Oliveira Crepaldi, 20, e do namorado, Jonathan de Andrade do Nascimento, 21, se confirmaram. Para a polícia não existem mais dúvidas da participação do casal. Os outros três suspeitos que foram detidos na última quarta-feira (15) acabaram liberados por determinação da Justiça. Mas, esse é só o começo de uma apuração que pode levar meses.

A reviravolta aconteceu justamente pela confissão da jovem de que o namorado também teria participado de toda a ação, livrando de qualquer culpa os outros três rapazes que ela mesma havia citado anteriormente. O depoimento mentiroso da indiciada atrapalhou o curso das investigações em um momento crucial, ou seja, quando a Polícia Civil já havia pedido a prisão temporária do trio.

Com as novas informações, os investigadores da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) foram a campo novamente e prenderam o namorado de Laís. Levado até a delegacia, ele confessou sua participação e deu detalhes sobre como teria matado o advogado e esquartejado o corpo.

“A princípio, ele negou que tivesse na casa, contradizendo uma testemunha que o viu lá. Diante disso, nós percebemos de que ele também poderia ter participado, por isso o conduzimos até a delegacia, juntamente com o pai. Durante uma acareação foi confirmada a participação dele no crime, já que a namorada confessou que o rapaz teria matado e esquartejado o corpo, com seu auxílio. E, para a nossa surpresa, ela mudou a versão em relação aos outros três detidos, dizendo que eles não participaram e os usaram para omitir a participação do namorado”, detalhou o delegado Antônio Paulo Natal em entrevista coletiva.

O ROUBO

Em depoimento, a versão de Laís de que ela teria atraído o advogado até sua residência, no bairro Água Branca, se manteve a mesma. Mas a abordagem foi feita por Jonathan, já dentro do imóvel. Segundo a polícia, Ronaldo César Capelari não teria tido a chance de qualquer reação, já que o autor o golpeou duas vezes na cabeça com um martelo.

“Ele nem chegou a anunciar o assalto e já deu duas marteladas na cabeça da vítima. Ali, os dois vendo que ele (advogado) poderia morrer acabaram entendendo que deveriam matá-lo. Eles finalizaram desferindo facadas nas costas e no pescoço”, revelou o delegado.

Depois de ser golpeado, o advogado caiu desfalecido no chão da cozinha. O casal não imaginava que ele ficaria tão ferido e não sabia o que fazer. Foi, nesse momento, segundo o delegado, que eles decidiram amordaçá-lo com uma fita na boca e amarrar as duas mãos. Os suspeitos arrastaram a vítima, ainda com vida, até o banheiro. Lá, eles colocaram um capuz em sua cabeça e o deixaram agonizando por mais uma hora e meia até que decidiram assassiná-lo com facadas em diversas regiões do corpo. Laís foi convicta no depoimento e contou não ter tido participação nem na morte, muito menos no esquartejamento do advogado. Nos momentos de maior violência, ela teria saído de casa para não presenciar as cenas. Apesar disso, foi a responsável por repassar ferramentas e limpar a residência que estava repleta de sangue.

“Ela repassava algumas ferramentas, como o serrote, a faca e os sacos para o namorado poder acondicionar o corpo. Naquela terça-feira, eles não conseguiram levar o corpo embora, iam tentar na quarta. Nesse meio tempo, a Polícia Militar recebeu uma informação e acabou encontrando as partes no banheiro”.

Depois da morte de Ronaldo, o rapaz teria estacionado a caminhonete Chevrolet/S-10 na garagem da casa. Ele ainda vasculhou todo o veículo em busca de objetos de valor. Por fim, o jovem roubou o celular e mais R$ 200 em dinheiro. Mas, a dupla também tinha a intenção de usar o cartão de crédito do advogado.

“Ele revelou onde o dinheiro subtraído estava. Nós fomos até sua casa e localizamos a quantia dentro de uma pasta, no guarda-roupa. Esse dinheiro foi apreendido, porque é uma prova material. Então, nós temos plena convicção de que ele não mentiu no depoimento”, enfatizou o delegado.

O ESQUARTEJAMENTO

Depois do assassinato e do roubo, o casal tinha um problema. Havia um corpo no banheiro da casa. A pergunta que eles se faziam era como se desfazer do cadáver sem chamar a atenção da vizinhança e não envolver mais ninguém na história. Laís não tinha força suficiente para carregar o corpo até a carroceria da caminhonete. O namorado, também. Alto, mas franzino, ele até tentou arrastar o advogado e colocá-lo dentro do veículo, mas não conseguiu. Depois, amarrou as mãos com uma corda e com uma caixa de papelão quis fazer uma espécie de rampa entre o chão da garagem e a carroceria. Também deu errado.

O jeito foi deixar o corpo trancado no banheiro naquela noite de segunda-feira (13) e abandonar a caminhonete em uma estrada de terra que separa os municípios de Araçatuba e Birigui. Quando tentava sair da casa, o jovem derrubou parte do muro, já que segundo a polícia, não tinha experiência em dirigir veículo automático.

No dia seguinte, quando o desaparecimento de Ronaldo já era amplamente divulgado pela imprensa e nas redes sociais, Jonathan teve a ideia de esquartejar o corpo e colocar as partes em sacos de lixo, justamente para ter mais facilidade de carregar e não chamar a atenção.

Ele pegou as ferramentas do pai, sem o consentimento, e voltou à residência da namorada. Segundo o delegado, ele também comprou os sacos plásticos e as luvas cirúrgicas para poder concluir o crime. Existem notas fiscais das compras e imagens de câmeras de monitoramento que comprovam a ida do suspeito até o comércio.

Por volta das 14h30, quando a polícia já havia localizado a caminhonete, Jonathan começou o processo de esquartejamento do corpo. A namorada repassava algumas ferramentas para ele, mas negou ter visto tamanha crueldade e brutalidade. Quase duas horas depois, os membros já estavam separados. O rapaz saiu, primeiro, com a sacola onde estavam as mãos. Ele teria as jogado no ribeirão Baguaçu, juntamente com o celular do advogado.

“Foi a primeira parte que ele resolveu descartar, era mais leve. Nós até perguntamos se seria para dificultar a identificação da vítima, mas ele negou, disse que iria dispensar tudo em um lugar só, no ribeirão Baguaçu, aleatoriamente”, informou o delegado.

Já durante a noite, ele retornaria para se desfazer do restante do corpo, mas àquela altura, policiais militares tinham entrado na casa e feito a descoberta.

FRIEZA

O que mais chamou a atenção dos delegados foi a frieza do casal. O rapaz deu detalhes minuciosos de como praticou todo o crime sem esboçar qualquer reação. Na saída da Central de Flagrantes para ser transferido para a cadeia, o jovem riu diante das câmeras de vários veículos de comunicação.

“A impressão que dá é que eles não têm noção da gravidade dos fatos. O único momento que a moça se emocionou foi quando eu perguntei a ela se tinha noção de ter acusado três pessoas inocentes”, afirmou Natal.

Depois de dois longos dias de diligências e depoimentos, Jonathan foi transferido para a Cadeia Pública de Pereira Barreto. Já Laís foi encaminhada para a unidade prisional de Dracena. A prisão é temporária, válida por 30 dias, mas pode ser prorrogada por mais 30 ou até mesmo ser convertida em preventiva.

NOVAS DILIGÊNCIAS

Na tarde dessa sexta, a DIG realizou novas diligências, dessa vez na tentativa de localizar as mãos e o celular do advogado. Equipes de mergulhadores do Corpo de Bombeiros foram chamadas para prestar apoio. Foram horas de varredura no ribeirão Baguaçu, na altura da ponte da Avenida Odorindo Perenha, local este apontado pelo suspeito onde teria jogado a sacola.

Apesar de todos os esforços, as buscas foram encerradas sem êxito. As investigações ainda estão longe de serem concluídas. A polícia não descarta nenhuma hipótese, nem mesmo da participação de mais pessoas. A grande questão, agora, é aguardar os resultados de laudos periciais, de exames de DNA e das digitais.


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