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Ano começa com preocupação com a dengue dentro de casa

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Divulgado ontem, o primeiro LIRAs (Levantamento Rápido de Índice para o Aedes aegypti) trouxe um desafio para a administração pública logo no começo do ano, em Araçatuba. O resultado mostrou que o maior perigo está dentro de casa. Houve uma alta de 300% no chamado IP (Índice Predial), que indica a quantidade de imóveis com ocorrência da criadouros. O balanço anterior, de outubro de 2019, indicava 2.4; desta vez, apresenta 7.1, conforme a análise feita pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), órgão da Secretaria Municipal de Saúde.

Diante dessa situação, a Prefeitura informou, nessa sexta-feira, em nota ao jornal O LIBERAL REGIONAL, que, a partir da próxima semana, iniciará um trabalho em áreas da cidade consideradas prioritárias, aquelas de maior risco. A primeira delas será a extensão urbana do bairro Engenheiro Taveira, líder no ranking dos IPs, com 15.00. Em seguida, vem a área 8, com Índice Predial de 11.81, responsável pelos bairros Jardim São Rafael, Jardim Etemp, Jardim Atlântico e Chácaras Arco-Iris. Nessas regiões, as larvas foram encontradas nos bebedouros de animais (cães e gatos), reservatórios de água ao nível do chão (tambores, baldes, tanques) e ralos internos e externos.

“Está sendo realizado também o bloqueio dos casos positivos e suspeitos para dengue, zika vírus e chikungunya”, diz a administração municipal, na nota. O poder público ressaltou que serão realizados ainda trabalhos de conscientização junto à população também, já que as larvas foram encontradas dentro das residências.

O CCZ realizará trabalhos de orientação e eliminação de criadouros (arrastão) nas áreas de maior concentração larvária. O principal objetivo é combater o avanço das doenças transmitidas pelo Aedes.

“É muito importante salientar a conscientização dos munícipes, pois percebe-se que os criadouros estão dentro das casas, a exemplo da grande ocorrência em ralos, onde os moradores devem sempre observar o acumulo de água e agir de maneira a evitar o mesmo nestes locais, para que não ocorra a proliferação do Aedes aegypti”, completa.

TERRITORIALIZAÇÃO

Esse balanço vem à tona após a Prefeitura ter implantado a política de territorialização dos agentes de combates às endemias e controlador de vetor no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya. Isso permitiu ações mais efetivas de identificação e remoção de focos criadouros de larvas.

Segundo a gestão municipal, as regiões da cidade nas quais foram implantadas essa política – as áreas das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do Umuarama e do bairro Nossa Senhora Aparecida e adjacências – ficaram  nas ultimas posições, com IPs de 5.69 e 5.55).

CHUVAS

Mesmo assim, a Prefeitura informou que já esperava um aumento desse índice. Isso, por causa da combinação das altas temperaturas e chuvas, que ficaram acima da média, ocasionando aumento de larvas. Em dezembro, foi registrado o total de 274,7 milímetros em um período de 19 dias com pancadas de chuva, quase o dobro do registrado em dezembro de 2018 (180,8 mm). Já as temperaturas superaram os 30°C durante todo o período, condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti. Em janeiro  de 2019, o índice IP foi de 4.7.

Por fim, outro índice apresentado junto com o LIRAa, o IB (Índice de Bretau), que indice a porcentagem de recipientes positivos para o mosquito, ficou em 9.7.

 

 

Cidade registrou mais de sete mil casos da doença em 2019

Araçatuba totalizou, em 2019, a maior quantidade de casos confirmados de dengue desde 2010, quando a cidade enfrentou epidemia da doença. O ano passado encerrou com 7.874 registros, enquanto há exatos dez anos, 11.509. O saldo anterior também foi ligeiramente superior ao de 2018, que havia fechado com 47.

O ano de 2020 já soma, até o momento, 21 casos, conforme balanço divulgado ontem pela Vigilância Epidemiológica do Município.

Em relação às outras duas doenças causadas pelo mosquito – zika vírus e chikungunya, não houve confirmações no ano anterior. A primeira e única vez que Araçatuba registrou casos de zika foi em 2016: dez. De chikungunya, da última vez, houve cinco em 2018.


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