Diego Fernandes – Buritama
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez nesta sexta-feira (17), a sua segunda visita à região de Araçatuba após assumir o comando do executivo estadual. Desta vez, a visita foi em Buritama (a 50km de Araçatuba), mais precisamente na Usina de Nova Avanhandava, na Hidrovia Tietê-Paraná.
Foi assinado o contrato para retomada das obras de ampliação do canal de navegação de Nova Avanhandava. O processo de derrocamento do pedral chegou a ser iniciado em 2017, mas foi paralisado em 2019.
Vão ser retirados 552 mil metros cúbicos de rochas, para permitir mais margem para navegação. O contrato assinado é de R$ 294 milhões e a previsão é de que 1.400 empregos sejam gerados durante as obras, que devem durar 36 meses (três anos).
A assinatura do contrato e o discurso foram feitos a bordo do navio Odisséia, e logo após a assinatura, o governador visitou a eclusa acompanhado de outras autoridades, como o deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB), e autoridades locais, como prefeitos e vereadores da região.

Tanto no discurso quanto na entrevista para a imprensa, Tarcísio de Freitas ressaltou a importância da obra, que terá potencial de manter a navegação da hidrovia para ser uma opção a mais de transporte de carga.
“A ideia é ter a hidrovia perene, nós vamos fazer um derrocamento aqui em Nova Avanhandava, vamos tirar 550 mil metros cúbicos de material, isso vai dar 3,5 metros de lâmina permanentemente. Então a gente vai conseguir operar a hidrovia muito mais tempo, ela já está integrada com a ferrovia, então a gente ganha capacidade e é sustentável”, explicou o governador à imprensa. “Imagina que nós vamos operar aqui comboios com 4 barcaças, e esse comboio vai substituir 172 carretas. Ou seja, a gente está economizando combustível, está deixando de eliminar CO2, é o frete que vai ficar mais barato”, seguiu.
O governador também ressaltou a importância de acompanhar a obra de perto, para que não haja problemas com paralisações e para que o contrato de 36 meses seja cumprido. De acordo com Tarcísio, as atividades da empresa serão iniciadas já no primeiro semestre.
“Acredito que a gente deve começar nesse primeiro semestre, e aí é acompanhar o passo a passo dessa obra. A gente tem que fazer o que a gente fez, projeto de engenharia, simulação, contratação. Contratamos o grupo e agora é tocar o empreendimento. Então, a gente vai acompanhar de perto. O acompanhamento diuturno, próximo é o que vai garantir que a obra não tenha problemas no seu transcurso”, explicou.
Tarcísio também explicou que os recursos para investimento sairão em boa parte do governo estadual e do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), mas prevê também a entrada de recursos novos com a privatização da Eletrobrás.
“Na licitação estamos contratando por R$ 294 mi, a gente começa a fazer esse investimento com recursos do governo do estado, do Dnit, e tem a previsão de a gente contar com recursos da privatização da Eletrobrás aqui para o derrocamento do canal”, detalhou.

Promessa
A secretária estadual de meio ambiente, infraestrutura e logística de São Paulo, também presente à assinatura, fez questão de garantir que a obra será realizada.
Ela relembrou o período de paralização da obra, em 2019, e os períodos em que a navegação ficou prejudicada pela falta de chuvas.
“A gente sabe dos problemas que já aconteceram, a gente sabe de quando ficou paralisada as obras, a gente sabe que em 2014 e 2015, com a crise hídrica, foram 20 meses sem navegabilidade, em 2019 e 2020 foram mais sete meses, então a gente sabe o quanto é importante a gente começar e finalizar. A gente conta com o apoio e os olhos de toda a sociedade. A gente vai ficar sempre junto com a construtora e com a população”, explicou.
Natália Resende explicou como será feita a obra, que contará com uma explosão subaquática à jusante da hidrovia.
“É uma explosão subaquática e para garantir que tenha esse nível de 3,5m. Porque a cota que a gente precisa para ter a navegação é uma cota de 325m acima do nível do mar. Quando a gente alcança 323m, a gente já consegue produzir energia a fio d´água, mas como o governador falou, até para evitar conflitos, a gente quer que tenha esse 3,5m para ter os usos múltiplos de água que a gente fala”, afirmou.
A ideia é não ter que paralisar as atividades da hidrovia quando houver estiagem, deixando margem para a navegação mesmo com a necessidade de economizar água para a geração de energia.


