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sábado, maio 21, 2022

Siran vai apresentar  primeira ação da maior iniciativa de recuperação ambiental em APP do Estado SP

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

O Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) vai apresentar no próximo dia 12, a primeira ação do Das Fontes a Foz, programa pioneiro destinado à recuperação de APPs (Áreas de Preservação Permanente) de propriedades rurais de Araçatuba. O evento ocorrerá às 9h, na fazenda São Carlos, onde foram plantadas 4 mil mudas de diversas espécies nativas do bioma Mata Atlântica, recuperando área de 2,2 hectares (ha).

A propriedade é a primeira das 27 que fazem parte da bacia do córrego dos Espanhóis, e que serão reflorestadas. Alguns proprietários já aderiram ao programa e para atender todas as propriedades do córrego dos Espanhóis serão necessárias 270 mil mudas para cobrir 158,49 ha de APPs. “Propriedades rurais das 19 bacias hidrográficas identificadas em Araçatuba serão contempladas. Posteriormente, o programa será estendido aos outros seis municípios da área de atuação do Siran, e, por que não, para outras regiões”, comenta o presidente da entidade, Thomas Rocco.

Coordenado pelo Siran, o programa tem Sérgio Paoliello como engenheiro agrônomo responsável, para restaurar APPs das propriedades dos seus associados (atuais e novos que se filiarem). Trata-se de uma solução gratuita para o produtor rural filiado à entidade, já que a restauração é uma exigência imposta pela Lei 12.651, de 2012, e que teve a ADI 4.901 (Ação Direta de Inconstitucionalidade) julgada em 2018 pelo STF (Superior Tribunal Federal), mantendo a obrigatoriedade de as APPs serem recuperadas. O das Fontes a Foz conta com apoio das empresas Manejo Consultoria, AES Brasil, Nelore do Boitel, Miotto Reflorestamento, Insumos Agronegócios.

 

 

 

Restauração e economia

Em Araçatuba, são 1.046 propriedades rurais registradas no CAR (Cadastro Ambiental Rural).  “Só de associados do sindicato são 214 propriedades no município, com 637,35 ha de áreas de APPs, para serem reflorestados cerca da metade, o que dá praticamente 1,5 ha por propriedade. Isso quer dizer que aproximadamente 75% dos associados do SIRAN em Araçatuba têm propriedades com menos de 120 ha. Na prática, são pequenos e médios produtores que precisam de ajuda para realizar essa ação”, explica o presidente Thomas Rocco.

Com o projeto, além de contribuir com os associados, o SIRAN quer promover o reflorestamento de toda a extensão de corpos d’água que estão com as suas matas ciliares prejudicadas, desde a sua foz até todas as suas fontes. A legislação fixa prazo de até 20 anos após a adesão do produtor rural ao PRA (Programa de Regularização Ambiental) para que ele recupere as APPs de suas propriedades. Pelo levantamento atual cada hectare terá custo médio de aproximadamente R$ 35 mil por ha, caso decida fazer a restauração, manutenção e condução por conta própria.

 

Circuito completo

Segundo Paoliello, o projeto oferece um circuito completo como solução, desde a identificação das áreas adequadas para reflorestamento (já efetuado), disponibilização de mudas, plantio e monitoramento por meio de empresas e entidades parceiras, como a AES Brasil, que está sendo prospectada. A empresa demonstrou interesse em participar com o fomento florestal, disponibilizando gratuitamente mudas, e oferecendo suporte técnico, com orientação de engenheiros agrônomos e florestais, diagnósticos de áreas, definição de metodologia e restauração e acesso do sistema de gerenciamento do projeto.

De acordo com Thomas Rocco, o Siran está buscando outros parceiros, como grandes empresas que necessitam de áreas adequadas para fazer compensação ambiental, assim como fontes de recursos financeiros, como o Banco Mundial e o Feidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos).

 

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