Os 16 maiores municípios da região de Araçatuba conseguiram, juntos, reduzir o saldo negativo na geração de empregos em 2018. A constatação está no resultado do último Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, divulgado ontem.
No ano passado, as cidades com mais de dez mil habitantes dessa fatia do Estado de São Paulo terminaram com saldo negativo de 891 postos de trabalho com carteira assinada, consequência das 68.920 contratações e 69.811 demissões de janeiro a dezembro. Em 2017, o saldo foi de -2.542 oportunidades. Na ocasião, 71.876 trabalhadores haviam sido contratados, mas 74.418 dispensados.
Apesar de, na somatória geral, a região ter caminhado na contramão do Brasil, que voltou a contratar mais do que demitir após quatro anos, para algumas cidades regionais, o ano que passou representou a retomada na geração de empregos. Foram os casos de Andradina, Auriflama, Birigui e Lins, que terminaram os últimos 12 meses com mais admissões do que dispensas, diferentemente do ano anterior. Na região, Ilha Solteira e Buritama também fecharam 2018 com volume maior de contratações do que demissões.
Andradina e Lins tiveram os melhores desempenhos, com saldo de 558 e 568 postos de trabalho abertos, respectivamente. O resultado foi motivo de comemoração, uma vez que, em 2017, Andradina terminara com -8, enquanto Lins, -1.077.
O mesmo se pode dizer em Birigui, que encerrou um ciclo de cinco anos consecutivos com mais demissões. Desde 2013, o polo calçadista infantil só terminava com saldo negativo na pesquisa do Caged.
Mas, no ano passado, o saldo foi positivo de 170 empregos formais. Para o professor e economista Marco Aurélio Barbosa, a diversidade da estrutura positiva e o crescimento da participação dos setores de comércio e serviços contribuíram com o bom desempenho. Levantamento feito por ele, com base no Caged, mostra que, na segunda cidade mais populosa da região, os setores de comércio, construção civil, serviços e agropecuária fecharam positivamente. A exceção foi a indústria, que fechou 936 postos de trabalho. “Nesse cenário, havendo realmente a retomada do crescimento industrial, a cidade tende a apresentar resultados interessantes neste ano, trazendo boas perspectivas para a empregabilidade na cidade de Birigui”, observa Barbosa, coordenador do Observatório da Economia Regional, da FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba).
Maior cidade da região, Araçatuba encerrou o ano, mais uma vez, com saldo negativo: desta vez, menos 604 empregos com carteira assinada; em 2017, ficou em -476.
Sobre a região como um todo, o economista da FEA avalia que os números finais de 2018 trazem uma perspectiva otimista. “Apesar do cenário para as cidades levantadas ainda apresentar um resultado negativo no quesito emprego, há algumas diferenças no resultado das cidades, tendo em vista a diversidade da estrutura produtiva regional e as características econômicas de cada município”, ponderou o estudioso.
“A região, aos poucos, vem conseguindo melhorar a situação, reduzindo o saldo negativo comparado com o ano de 2017. E essa melhora segue o deesempenho macroeconômico do país.” Segundo ele, a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,5% para 2019 cria expectativa para que, neste ano, a região termine com saldo positivo.
Brasil teve melhor resultado em quatro anos
O ano de 2018 encerrou com saldo positivo de 529,5 mil empregos formais gerados em todo o Brasil, segundo dados do Caged), divulgados ontem pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. Esse foi o primeiro saldo positivo desde 2014, quando houve geração de 420,6 mil empregos formais.
Em todo o País, o setor que gerou o maior saldo positivo de empregos formais foi o de serviços, com 398,6 mil, seguido pelo comércio (102 mil). A administração pública foi a única a registrar saldo negativo: 4,19 mil. De acordo com a secretaria, essas demissões no serviço público devem ter ocorrido pela restrição fiscal em estados e municípios e são referentes apenas a trabalhadores celetistas.
São Paulo foi o Estado que mais gerou empregos (146,6 mil), seguido por Minas Gerais (81,9 mil) e Santa Catarina (41,7 mil). Os maiores saldos negativos foram Mato Grosso do Sul (3,1 mil), Acre (961) e Roraima (397). Com informações da Agência Brasil

ARNON GOMES
Araçatuba

