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terça-feira, agosto 16, 2022

RAÍZES QUE NOS SUSTENTAM

FERNANDA COLLI

Toda vez que abordamos o tema cultura popular ou folclore, já remetemos a pensamentos em algo ultrapassado, sem utilidade. Talvez isso que esteja faltando: acharmos nosso norteamento sobre questões de vivências, experiências, comportamentos e até mesmo oportunidades de uma determinada região, pois justamente o que é considerado ultrapassado e sem utilidade é o fator que determinou a situação atual em que vivemos e até sobrevivemos.
A cultura é construída através da interação entre as pessoas no dia a dia. Através intercâmbio social é construído gradativamente significados e costumes que tem sentido a essas pessoas, e são compartilhados entre elas. A formação e caracterização de uma cultura está repleta de elementos e significados que vão identificar esse povo como pertencente a uma determinada comunidade ou região, diferenciando-os de outras comunidades, surge assim, a identidade cultural.
Sim, não podemos nos prender ao passado. Devemos viver o presente e planejar um futuro melhor. Porém, para se compreender as transformações pelas quais a cultura de um povo tem passado no decorrer dos tempos, se faz necessário conhecer como se deu sua construção e o porquê.
Para podermos aprofundarmos em questões antropológicas, filosóficas, sociais e até econômicas pertinentes a uma região, para conhecer a cultura até mesmo de outros povos, deve-se primeiro conhecer a história da própria cultura, saber como se deu essa construção e como foi o processo de evolução e desenvolvimento da mesma. Só assim, podemos ter um embasamento para conhecer e entender outras culturas. Conhecendo a própria cultura, o indivíduo compreenderá a importância de mantê-la viva na memória, protege-la e valorizar a cultura como forma de preservar o que somos, nossas características, nossa identidade.
Há necessidade de despertarmos uma consciência coletiva através de reflexões e discussões com relação à importância das raízes culturais. O resgate às raízes culturais de uma região despertar no indivíduo a motivação e o interesse sobre a sua própria cultura, tornando-o um cidadão mais sensível e consciente da importância de suas raízes para preservação de sua história, criando sua identidade social e quanto mais nos identificamos com o grupo, quanto mais conhecemos a essência de nossa história, mais definição temos de nossa personalidade, e principalmente, até onde queremos chegar.

Fernanda Colli pedagoga, psicopedagoga, Arte Educadora, presidente do Conselho Municipal de Cultura

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