QUEIMADO - Parte da plantação de feijão foi prejudicada pelas gotas de orvalho que congelaram ARQUIVO PESSOAL

Produtor relata perdas de 40% e 50% em lavouras de feijão e milho por causa do frio e da falta de chuvas

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

A falta de chuvas e a queda nas temperaturas nas últimas semanas estão causando uma reação em cadeia de prejuízos para produtores rurais da região de Araçatuba.

Produções presentes na região como soja, milho e feijão, que já sofriam com a queda na colheita pela instabilidade do clima, também sofreram prejuízos por causa das geadas, ocorridas na última semana. Além disso, foi registrada uma queda de 9% no preço da arroba do boi devido ao aumento em produtos secundários.

Segundo o pecuarista e produtor rural de Araçatuba, Thomaz Rocco, a sua fazenda, localizada na área rural de Guararapes, possui uma plantação de feijão de 60 hectares que teve perdas que chegaram a 40% por conta das geadas ocorridas nesta última semana.

“O orvalho caindo durante a noite, a temperatura fica abaixo de zero para a plantação e a planta entra em ponto de congelamento. Dá esse aspecto de queimado que a gente vê a olho nu. A perda estimada nossa aqui foi entre 30% e 40% da nossa plantação”, explicou Rocco.

O pecuarista explica que no local é feito um revezamento de culturas, e no mesmo espaço onde é cultivado o feijão, também é cultivada a soja. A troca deve acontecer no mês de outubro, já próxima das chuvas. 

Para este ano de 2021, o produtor contou à reportagem que a área de plantação de feijão já foi menor, devido à falta de chuvas, e com as perdas das geadas, a produção deve cair, causando uma oferta menor deste produto ao consumidor final, que deve verificar um crescimento no preço final. 

Além do feijão, Rocco mantém uma produção de milho em sua fazenda que ocupa cerca de 120 hectares de plantação. Ele comemora que, por estar em período de colheita, não teve prejuízos com a geada, mas comenta prejuízos de colegas produtores.

“Alguns produtores da região que tinham milho em fase de enchimento de grão, nesse caso a geada causa muito prejuízo”, afirmou. “No nosso caso fomos afetados apenas pela nossa criação bovina, já que o milho é base pra ração, então o que formos comprar vai estar mais caro”, afirmou.

Apesar de não ter se prejudicado com a geada, Rocco confirma que, neste ano, devido à baixa quantidade de chuvas, a sua colheita de milho está cerca de 50% menor do que em anos anteriores. 

Dentro da área de sua fazenda, que tem 352 hectares, o produtor também possui cerca de 400 cabeças de gado. Ele afirma que o frio causou grande prejuízo nas pastagens e produtores rurais tiveram que vender mais rapidamente o gado, causando uma pequena queda de aproximadamente 10% no preço da arroba do boi.

“Na verdade não tem como segurar o gado sem pastagem, então o produtor vende mais rapidamente para os frigoríficos. Nós chegamos a ter R$ 330 na arroba do boi em abril, e agora estamos com R$ 308 para boi convencional e R$ 315 para o boi padrão China”, comentou Rocco. 

Segundo a Scot Consultoria, a arroba do boi em Araçatuba está a R$ 310,50, e mesmo com a queda, segue sendo a mais cara do país. 

O produtor Thomaz Rocco acredita que pode não ter perdas financeiras, já que é possível buscar um equilíbrio no preço de venda dos animais. Segundo ele, as exportações seguem aquecidas com a alta do dólar e do euro, o que tem mantido os negócios.


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