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segunda-feira, junho 27, 2022

Presidente do Creci diz que bancos vão desvincular Selic dos financiamentos

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Os índices de vendas e aluguéis de imóveis na região de Araçatuba no mês de abril tiveram queda expressiva em relação a março. Enquanto as vendas caíram 72,55%, os aluguéis tiveram queda de 60,28%. 

Vendas com pagamento à vista ou parcelamento direto com o proprietário representaram a maior parte das vendas, com mais de 82%. Mais de 57% dos imóveis custaram até R$ 200 mil, e mais de 62% foram adquiridos em bairros de periferia.

Nos aluguéis, 75% dos novos inquilinos estão pagando até R$ 1 mil mensais, e 50% das casas alugadas foram em bairros periféricos dos municípios. 

Os dados foram obtidos pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL junto ao Creci-SP, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo.

De acordo com o Creci-SP, a pesquisa foi feita nas cidades de Araçatuba, Birigui, Buritama, Ilha Solteira, Jales, Palmeira D´Oeste e Promissão. Foram pesquisadas 18 imobiliárias destes sete municípios. 

Apesar dos números negativos do último levantamento, o presidente estadual do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, afirma que há uma projeção otimista imediata do conselho para os próximos meses.

Viana Neto esteve em Araçatuba na quinta-feira (26) e conversou com a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, e disse que os bancos vão desvincular a taxa Selic, que está em 12,75%, dos juros do financiamento, com o objetivo de estimular mais vendas e cumprir a meta de investir neste tipo de negócio o valor recebido das poupanças.

“A projeção é ter uma melhora e melhora expressiva, até porque, a partir deste momento, com o aumento muito grande da taxa Selic, os bancos desconectaram a taxa Selic do juro do financiamento imobiliário. 65% do dinheiro arrecadado na poupança tem que ser aplicado no mercado imobiliário, se esse dinheiro não retornar em forma de financiamento, os bancos sofrem uma sanção do Banco Central, e evidente que ninguém quer sofrer sanção. Acho que vai ter uma disputa grande entre os bancos, possibilidade até de queda de juros para financiamento imobiliário”, afirmou. 

Segundo o presidente do Creci-SP, esta concorrência entre os bancos já começou e deve perdurar, abrindo a oportunidade de mais financiamentos. 

“Os bancos já começaram a concorrência entre eles, a Caixa Econômica mesmo já baixou a taxa de juros, e ampliou o crédito de financiamento para imóveis comerciais, para terrenos, coisas que não tinha antes”, disse.

Viana Neto afirma que a queda nos financiamentos é a principal responsável pela diminuição da venda de imóveis. Segundo ele, a porcentagem de imóveis financiados atualmente é irrisória nos dados de vendas observados junto às imobiliárias. 

“Com relação às vendas a dificuldade é com relação à taxa de juros, que está muito alta. Tradicionalmente os financiamentos chegaram a 85% de participação no mercado, do número de imóveis vendidos, e hoje os financiamentos estão participando muito pouco, quase nada, Caixa Econômica, bancos privados somados vai dar até 17% apenas, e os negócios têm sido feitos diretamente com parcelamentos pelo proprietário que concede ao comprador alguma facilidade. Poucas pessoas têm condição de comprovar a renda necessária para ter o financiamento aprovado”, explicou.

Alugueis

Quanto à queda no número de locações, Viana Neto comenta sobre o IGP-M, índice que reajusta os preços dos alugueis, e que também tem crescido nos últimos meses.

“E na questão dos alugueis, é em razão do IGP-M muito alto, que está assustando as pessoas, e muita gente está deixando de alugar”, completou. 

No mês de maio, o IGP-M avançou 1,51% no mês de abril e neste mês de maio aumento mais ainda, 4,1%. O crescimento já é de 14,39% no acumulado do ano e mais de 37% na soma dos últimos 12 meses. 

 

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