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Araçatuba
quinta-feira, maio 19, 2022

Preço do boi dispara e pode faltar carne no mercado, diz produtor

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

As últimas três semanas foram marcadas pela disparada do preço da carne bovina, que acabou puxando para cima, mas em percentuais menores, o preço do frango e do suíno. Além do preço alto, o consumidor pode enfrentar desabastecimento. O alerta foi feito à reportagem de O LIBERAL REGIONAL pelo pecuarista e estudioso do mercado, Jorge Rezek Neto. Segundo ele, na sexta-feira, frigoríficos que atuam na exportação chegaram a oferecer R$ 230 a arroba do boi para pagamento em sete dias. Isso mostra que o mercado está aquecido, mas não tem oferta necessária. Com os frigoríficos priorizando as exportações devido aos contratos firmados e à cotação do dólar, o mercado interno pode ser afetado.
Levantamento feito pela reportagem mostra que no dia 22 de novembro de 2017, a arroba do boi era comercializada a R$ 141 em São Paulo e R$ 129 em Mato Grosso do Sul. No mesmo dia no ano passado, a arroba foi comercializada em São Paulo e R$ 148 e a R$ 142 em Mato Grosso do Sul. Na sexta-feira (22) a cotação era de R$ 217 em São Paulo e R$ 195 em Mato Grosso do Sul. Porém, foram registradas propostas acima destes valores.
Segundo o produtor Neto Rezek, geralmente nesta época do ano há variação normal no preço do boi. Ele explicou que que o aumento geralmente é por uma variável, como aumento do dólar, longa estiagem ou outra. Desta vez, segundo ele, foram quadro variáveis refletindo diretamente no preço: longa estiagem, com necessidade de complementar alimentar do gado; aumenta da exportação de boi vivo, reduzindo a oferta de animal para reposição no mercado interno; aumento das exportações para a China e alta do dólar, que contribui para melhorar o cenário dos exportadores.
De acordo com Neto Rezek, o aumento das exportações de animal vivo reduziu a oferta para reposição. Com isso, os produtores tiveram de manter o rebanho mais tempo. Quem vendia animal com 16 arrobas, teve de esperar até 19 arrobas. Com isso, foi reduzida a oferta para abate. Como os frigoríficos têm contratos com a China, que aumentou as importações de carne bovina depois de problemas no rebanho suíno, tiveram que elevar os preços para conseguir animais para abate no mercado. “Este é um fenômeno que eu nunca vi em mais de 30 anos de atuação na pecuária”, disse Neto Rezek.
Outros profissionais que atuam no mercado evitam fazer qualquer prognóstico diante do quadro atípico. Um, que preferiu ficar no anonimato, acredita que da mesma forma que o preço disparou, pode cair rapidamente.

CONSUMIDOR
Em meio à explosão nos preços do boi, o consumidor está sofrendo com as altas da carne no varejo. No dia 21 de outubro, o contra-filé, uma das carnes mais consumidas, era vendido a R$ 19,58. Neste sábado (23), no mesmo estabelecimento, estava custando R$ 29,98, o que representa 53,11% de aumento. A mesma carne é encontrada em outros estabelecimentos a mais de R$ 44 o quilo. Outros tipos de carne, como a costelinha e bisteca de suíno e frango também tiveram o preço reajustado, mas em percentual inferiores, em média de 25%.

 

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