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segunda-feira, agosto 15, 2022

PONTO DE VISTA

DE QUE SERVE DECORAR?
*José Renato Nalini
Não seria preciso analisar os vergonhosos índices do Brasil no PISA de 2018, para saber que fracassamos na educação. Quatro províncias chinesas – Pequim, Xangai, Jiang-su e Zhejiang – obtiveram o primeiro lugar nas três disciplinas avaliadas. O Brasil ficou em 42º em leitura, em 58º em matemática e em 53º em ciências. Não melhoramos desde 2009!
Por que isso? Porque insistimos em adestrar o educando, em lugar de educa-lo. E educar é fazer pensar. É criar consciência crítica. É incentivar o protagonismo, fazer com que a criança se apaixone pela leitura, descubra os encantos da natureza e se torne uma pessoa sensível e amorável.
Imersos na competitividade feroz, não quisemos criar seres “fracos”, assim considerados os tolerantes, os respeitosos, os destreinados para a agressão, ainda que verbal. Ao contrário, incentivamos o egoísmo, o individualismo, o narcisismo. Insistimos em que cada um deve ser o “melhor”. Melhor em que?
Mantemos intocada a concepção de que alguém é o detentor do conhecimento e que o aluno é uma tábula rasa, um vazio a ser preenchido com o ensinamento do mestre. Só que esse aluno hoje tem um mobile que responde em frações de segundo a qualquer indagação. É quase impossível ao professor – assoberbado por tarefas burocráticas – manter-se atualizado. O aluno esperto sabe que pode saber mais do que o professor. Daí a perda de respeito. Incentivada por certos pais que estimulam seus filhos mimados a encararem o professor como um empregado.
A OCDE percebeu que atulhar a cabeça infantil de informações, sem cuidar de seu caráter, não dá certo. Por isso, incluiu criatividade em suas avaliações. E nisso, estamos longe dos Países de Primeiro Mundo.
Pior do que isso: no sistema público, em lugar do amor pela escola e pelos docentes, deixamos criar o ódio, a ira, o ressentimento. É o que explica o número de professores agredidos, de escolas vandalizadas e de episódios lastimáveis como o da Escola Raul Brasil em Suzano, em março de 2019.
Alguma perspectiva de acordarem os responsáveis pela educação brasileira? Ainda não detectei esse prenúncio tão saudável como tão urgente.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

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