PONTO DE VISTA

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Inflação acelera

O Brasil era o único país do planeta onde o investidor tinha uma boa rentabilidade investindo nos títulos soberanos do governo e com uma liquidez imediata caso precisasse resgatar. Pois bem, isso não existe mais, o juro atual é de 2% ao ano, não ao mês, e o Banco Central pode confirmar isso novamente hoje na reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária). Infelizmente muitos ainda não acordaram para o mal que faz ao suado dinheiro ficar estacionado em produtos como a poupança, que nesse ano rendeu apenas 2,11% enquanto a inflação bate 3,13 %. O cenário desenhado é de quem colocou R$1.000,00 na poupança em janeiro/2020 chegue em dezembro com R$1.022,90. Na contramão temos uma inflação acelerando devido aos efeitos da pandemia para um acumulado de 4,31% nos últimos 12 meses. O IPCA de novembro foi o maior para o mês nos últimos 5 anos. A conta que o investidor deve fazer é muito simples, o que seria necessário comprar com R$1.000,00 no início do ano hoje exigem R$1.031,30. O aumento dos preços é mais nítido no supermercado, onde somente em 2020 os preços dos alimentos subiram 12,14%.
Primeiramente devemos pontuar que a poupança não é um investimento que vai dar uma rentabilidade real, isso só é conquistado se o valor do rendimento da aplicação for superior à correção da inflação. Naturalmente o investidor deve procurar por aplicações que lhe rendam mais que a inflação. E aí eu volto para a primeira frase desse artigo, boa rentabilidade aliada com alta segurança e resgate imediato nunca andarão juntas. Isso somente no Brasil do passado. Portanto, para ter uma boa rentabilidade de algum dos dois o investidor deve abrir mão, ou da segurança ou da liquidez. Títulos bancários ligados à inflação tem prazo mínimo médio de 6 meses e máximo de 7 anos. Títulos privados ligados à inflação têm prazos mais longos, porém um mercado secundário bem líquido. A atenção aqui, vai para as variações nas taxas de juros futuras. Todos os dias nos mercados são negociados juros com diversos vencimentos e com base nisso são precificados esses títulos. Um exemplo disso é que o título mais líquido e conservador do tesouro direto, o tesouro Selic, rende atualmente 2% ao ano. Um título com vencimento para 2026 no mesmo tesouro direto rende 7,39% ao ano. Qual a pegadinha? Alta segurança, alta liquidez e boa rentabilidade nunca andam juntas. Na questão do título prefixado (o nome mesmo já diz que a taxa foi Pré Fixada) o investidor só vai receber os juros acordados no momento da compra se carregá-lo até o seu vencimento. Caso contrário ele terá que ir ao mercado secundário (esse procedimento é automatizado pelo programa Tesouro Direto) e lá os agentes de mercado verificarão quanto os investidores estão dispostos a pagar por esse título. A primeira coisa que os compradores farão é olhar as cotações da taxa de juros para 2031 e se ela for maior que os 7,39% do investidor esse mesmo terá um deságio em seu preço. Mas caso essa taxa tenha caído o investidor terá um papel mais valioso em sua mão, uma rentabilidade (7,39% ao ano) que não está mais disponível no mercado e por isso lhe pagarão um ágio por aquele título.
Nesse artigo eu gostaria de falar somente de inflação, porém dei uma prévia de como o investidor pode ganhar (muito) dinheiro com papéis seguros e líquidos. Na próxima coluna falaremos de como isso pode ser feito com outros papéis do tesouro direto.09

Pedro Barsalobre é formado em Marketing e Pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV. Possui certificação ANCORD de Agente Autônomo de Investimentos. Trabalhou por 10 anos em uma Instituição Financeira de grande porte e fundou a Arassá Investimentos em 2018 com mais dois sócios. Hoje é Assessor de Investimentos e Sócio Fundador na Arassá Investimentos, escritório credenciado à XP Investimentos.


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