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    Home»Cidades»Araçatuba»PIBinho Bão de mais
    Araçatuba

    PIBinho Bão de mais

    By jornalistacrispim30 de janeiro de 2022Nenhum comentário5 Mins Read
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    Rodrigo Andolfato é empresário, membro do Instituto Liberal da Alta Noroeste e idealizador do movimento #ARACATUBADOBEM
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    Rodrigo Andolfato

    Essa semana que passou foi noticiada a previsão do PIB, dada pelo Mercado Financeiro para o Brasil. A previsão é de apenas 0,36%, em 2022, diante da previsão de 4,5% para 2021. Primeiro, é importante explicar que ainda se  trata de uma estimativa, não são números oficiais. Contudo, dado todo conhecimento do que se passou ao longo do ano, essa previsão, de 4,5%, deve se concretizar. Já a previsão do PIB para 2022, é de fato um “chute no escuro completo”, pois esses dados dependem do povo que de fato trabalha e da ação do governo.

    “Como assim, Rodrigo?” – Respondo: O cálculo do PIB é algo muito simples. Trata-se da equação C+G+(X-Y)=PIB. Em que “C” é a riqueza produzida pelo setor privado. “G” são os gastos do governo. Já “(X-Y)” é a balança comercial internacional, ou seja, “X’ são as exportações e “Y” as importações. Explicado tudo isso, e sem a pretensão de querer formar especialistas em cálculo de PIB, o importante é mostrar quão óbvia esta equação é maquiavelicamente manipulável pelos gastos do Governo. E como sabemos que o Governo nada produz, apenas rouba a riqueza das pessoas através dos impostos e da inflação, sabemos que números altos de PIB podem (e na maioria das vezes são) consistir numa armadilha que apresenta números altos de PIB, mas que na verdade estão empobrecendo a nação.

    Como os gastos do Governo entram na equação? Se o governo quiser dar uma falsa impressão de prosperidade através de PIBs altos, basta que ele gaste muito. O problema é que os gastos do governo só podem vir de duas fontes. A primeira do dinheiro roubado através de impostos pagos com as guias de arrecadação. Essas receitas é que são chamadas de impostos e receita corrente líquida do governo. Ela seria equivalente ao salário do governo para gastar. No entanto, o governo não gasta só o que arrecada. Ele gasta mais que isso, e para não “quebrar”, ele “imprime” dinheiro. Na verdade, atualmente não se imprime dinheiro, simplesmente se faz uma série de malabarismos algébricos, de forma que se aumente a base monetária, por meio da concessão de crédito ao governo.

    O fato é que o governo ao aumentar a base monetária, aumenta a quantidade de dinheiro no mercado da mesma forma que se fosse impresso em papel moeda. Assim, o governo consegue dinheiro para gastar sem dó. E isso faz com que o PIB aumente. Mas assim como se aumenta o PIB, se aumenta a inflação. E aumento de inflação, em última análise, significa a diminuição da riqueza efetivamente. Ou seja, se quisermos de fato medir o enriquecimento real do país, devemos verificar o PIBreal. O PIBreal é o PIB com o desconto da inflação. Ou seja, em 2021, se concretizando a projeção do PIB em 4% e a inflação em 10%, podemos dizer que o Brasil não cresceu 4% e sim EMPOBRECEU em 6%.

    Por entender efetivamente como funciona o sistema, é que eu comemorei a projeção do mercado para um PIB de apenas 0,36%. Explico-me. Se o mercado está prevendo, num ano de eleição, um PIB desta monta, significa que o mercado, conhecedor do fator PIBreal, está acreditando que o governo Bolsonaro irá manter uma austeridade na economia, através de políticas econômicas ortodoxas. Sei que é difícil acreditar em políticos em ano de eleição. Principalmente num país com a possibilidade de reeleição, uma vez que com a “caneta na mão”, um político pode postergar crises aumentando os gastos do governo. Porém, o Bolsonaro sabe que esta postergação de crises, via aumento da base monetária, tem consequências nefastas no aumento da pobreza do país. Isto se tornou tão evidente, que o aumento da base monetária realizado em 2020 e 2021, anos em que o país parou, aumentou o PIB através dessa política expansionista de gastos públicos. Contudo, houve um aumento de miseráveis substancial, bem como, aqueles que ainda estão empregados, percebem a diminuição do poder do dinheiro, e já sentem que, mesmo ganhando nominalmente o mesmo salário, se tornaram mais pobres.

    Como a política no Brasil, e na maioria dos países republicanos do mundo, é feita para o hoje e não para o futuro, minha crença nos políticos não é das melhores, mas como os resultados perniciosos da inflação estão na cara do presidente, eu acredito que ele não será burro de tentar um novo aumento de base monetária. Esta minha tese, e talvez esperança, de que o caminho certo será tomado, vem da política atual do Banco Central em aumentar a taxa básica de juros, a SELIC. Assim sendo, acredito que mesmo em ano de eleições, teremos uma austeridade.

    “Rodrigo, então estamos tranquilos?” – Respondo: Não! Arrumar a casa e curar o doente, ou seja, consertar o país e arrumar a economia, não é passe de mágica, nem tampouco algo indolor. Com o aumento da taxa de juros pelo Banco Central, muitas empresas, ditas lucrativas, passam a fechar as portas. E a consequência direta disso é o desemprego. Explicarei esse efeito ruim do aumento na taxa de juros sobre o aumento do desemprego em um próximo artigo. O que importa agora é saber: “Será que o presidente escolherá acabar com a moeda que paga o salário, ou escolherá acabar com muitos salários para não acabar com a moeda?”. Ano de eleição no Brasil é isso, um carrossel de emoções para o mercado financeiro. Aguarde nosso próximo artigo, pois quem entende de economia, não cai em armadilhas.

    Rodrigo Andolfato é empresário, membro do Instituto Liberal da Alta Noroeste e idealizador do movimento #CIDADEDOBEM

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