Negros em forma de arte, ciência e literatura

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Pelo segundo ano consecutivo, é no coração da cidade que será despertada a consciência sobre o respeito e o valor do negro na sociedade. Como no ano passado, a praça Rui Barbosa, no Centro de Araçatuba, está tomada por esculturas e outros elementos, como pinturas, elementos da fauna e do artesanato, entre outras representações que remontam ao continente africano.
As imagens já chamavam atenção de quem passava pela tradicional “praça do boi” na tarde de ontem. O local servirá para diversas comemorações alusivas ao feriado municipal do Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quarta-feira.
Hoje, a partir das 15h, lá, haverá o 2º Negritude Araçatuba. Na programação, estão previstas oficinas de amarração de turbantes, oficinas de máscaras infantis, oficina de confecção de bonecas abayomi, corte de cabelo, ensaio do maracatu, apresentação musical e de capoeira, entre outras atividades.
Todo o trabalho artístico foi coordenado pelo presidente da escola de samba Sonho e Fantasia, Manoel Rodrigues, que tem uma fábrica de esculturas. O artista já realizou, em sua carreira, vários trabalhos voltados à valorização da cultura afro-brasileira. Em 2001, por exemplo, sua escola venceu o carnaval local com o enredo “África, mãe de todos os orixás”.

ETEC
Mas, desta vez, os trabalho de representação do legado dos africanos que vieram para o Brasil foram além da praça Rui Barbosa.
Uma grande ação nesse sentido foi realizada na Etec (Escola Técnica Estadual) de Araçatuba. Segundo o responsável pelo projeto, o professor de História Heleno Helyne de Souza Júnior, foi feito todo um amplo trabalho voltado ao resgate da memória da consciência negra ao longo dos últimos 15 dias.
Maquetes simbolizaram quilombos, a casa grande, a senzala e o navio negreiro, tudo feito para apresentação dos alunos.
A iniciativa envolveu praticamente todas as disciplinas, que foram divididas em bancadas. Uma delas, por exemplo, procurou mostrar a matemática africana. Conforme o docente, foram apresentados conceitos de “etnomatemática” e geometria africana.
Para uma gincana, que envolveu todos os aluno, foi decorado um palco com instrumentos musicais típicos da África. Lá estavam representados atabaques, pandeiros, berimbau, agogô e reco-reco. Tudo isso, além de elementos artísticos daquele continente. Houve ainda apresentação de cantos e leitura de poemas afros.
“O objetivo era tirar aquela ideia de selvagens, mas mostrar que os negros vieram para cá com várias noções. O continente africano tem uma formação matemática, de ciências e de crenças muito grande. Foi um trabalho importante por ser transdisciplinar, ou seja, envolveu todos os professores. Foi um projeto que não agrega só o professor de história, mas de todas as matérias, cada qual com uma bancada. Trabalhamos ainda a ideia de preconceito e racismo para que se promova a consciência negra”, analisa Heleno, ressaltando que, no total, participaram 240 alunos.

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PROJETO – Já na Etec de Araçatuba, alunos trabalharam a consciência negra nos últimos 15 dias com diferentes representações


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