AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Cirúrgico: o assunto parecia encerrado, mas não está. Movimentações iniciadas nos últimos dias por Araçatuba e Penápolis sinalizam a retomada de uma disputa pelo serviço que ambas as cidades da região travaram até meados do ano passado.
De um lado, Penápolis tenta consumar aquilo que, em tese, já havia conquistado. Na última segunda-feira, tiveram início as obras de adequação do antigo prédio da Unimed local para implantação do serviço. O “start” foi dado 15 dias após o governador João Doria (PSDB) determinar a suspensão de contratos com OS’s (Organizações Sociais) em todo o Estado para reavaliação. Em julho do ano passado, o então governador Márcio França (PSB) havia confirmado a implantação do ambulatório em Penápolis. Cinco meses depois, pouco antes do término do seu governo, anunciara justamente uma OS – no caso, a Santa Casa de Pacaembu – como gestora do AME.
Paralelamente à aceleração dada por Penápolis, a classe política de Araçatuba já trabalha para trazer a unidade, um desejo do prefeito Dilador Borges (PSDB). Segundo apurou a reportagem, nesta quarta-feira, será protocolado na Câmara Municipal projeto que cria comissão de cinco vereadores a fim de buscar caminhos junto ao Estado para a instalação do AME Cirúrgico em Araçatuba. O texto é assinado pelo vereador Gilberto Batata Mantovani (PR).
A proposta, que depende de aprovação da maioria dos parlamentares, cria grupo semelhante ao existente no Legislativo até dezembro passado. Na ocasião, a comissão havia encerrado os trabalhos, sob a alegação de que o governo estadual decidiu instalar o serviço em Penápolis. Conforme a coluna “Olho Vivo”, do jornal O LIBERAL REGIONAL, adiantou na edição de ontem, Araçatuba espera se valer da abertura que o prefeito Dilador Borges (PSDB) tem com Doria para garantir esta conquista. O prefeito de Penápolis, por sua vez, foi um dos principais apoiadores, na região de Araçatuba, da candidatura à reeleição de França, derrotado por Doria na eleição estadual de outubro de 2018.
A “briga” pelo ambulatório se deve ao fato de que o município vencedor concentrará um serviço de atendimento regional. A previsão é alcançar 40 cidades da região e oferecer cerca de 150 cirurgias de baixa complexidade e 300 de média, totalizando 450 por mês. Daí, a possibilidade de o Estado determinar o funcionamento do AME Cirúrgico em apenas uma cidade na região. Dentre as especialidades oferecidas, estão: oftalmologia, ginecologia, mastologia, anestesiologia, cardiologia, cirurgia geral e vascular, coloproctologia, gastroenterologia, neurologia, otorrinolaringologia, pneumologia e urologia. Isso, além de 3,2 mil consultas médicas por mês.
Prefeito de Penápolis afirma que OS já tinha processo adiantado
Procurado pela reportagem, Célio disse que, apesar da suspensão contratual, a OS Santa Casa de Pacaembu já tinha processo adiantado para a implantação e gestão do AME Cirúrgico, bem como recursos para reforma e compra de equipamentos adiantados. “Então, a OS só começou (a obra). O governo depositou o dinheiro e, a partir daí, é a OS quem movimenta”, disse ele. O chefe do Executivo de Penápolis não soube precisar quanto já foi liberado. Contudo, estima que, entre reformas e equipamentos, o investimento passe de R$ 6 milhões.
Em nota divulgada pela Prefeitura de Penápolis em seu site, o diretor da OS Pacaembu, Luiz Mazziero, diz que, com a liberação do prédio por parte da Unimed, foi possível iniciar o projeto do AME. A primeira fase dos trabalhos prevê a instalação de um sistema de ar condicionado central, que atenderá todo o centro cirúrgico.
De acordo com a publicação oficial, a expectativa é de que o AME de Penápolis seja inaugurado até a primeira quinzena de maio.
CONTRATAÇÕES
A mesma OS informou que fará, a partir de fevereiro, processo seletivo para a contratação dos profissionais que irão trabalhar no AME, sendo que até o final do mesmo mês, todos os colaboradores já deverão estar selecionados. O local para a entrega dos currículos deverá ser divulgado nos próximos dias.
Comissão terá papel de buscar apoio político
Diante do início da gestão de Doria, a comissão terá o papel de buscar apoio de prefeitos e vereadores, além de deputados com atuação política na região, para convencer o governo da importância da implantação do AME Cirúrgico em Araçatuba. “Já conversei com o prefeito a respeito e estamos esperançosos”, disse, ontem, Batata.
Conforme O LIBERAL REGIONAL noticiou em 7 de dezembro do ano passado, a aposta de Dilador consiste na apresentação de um raio X da estrutura do município na área da saúde e suas condições de atendimento regional. “Continuo na luta, afinal, Araçatuba continua sendo a cidade com maiores condições técnicas de receber o AME Cirúrgico”, disse, na ocasião. “Temos o maior número de médicos, já oferecemos atendimentos de média e alta complexidade, temos local para instalação, entre outros motivos.”
Hoje, Araçatuba já tem um AME. Atende 27 municípios, porém, sem o serviço cirúrgico, justamente o que pretende trazer. Para a nova modalidade, uma das opções de local para funcionamento será a sede do antigo pronto-socorro municipal, no bairro Santana.
ARNON GOMES
Araçatuba

