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sábado, maio 21, 2022

“Mulher pode ser o que ela quiser”, diz a engenheira civil Gisele Bracale

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

“Nós, mulheres, temos que acreditar em nós mesmas e nos preparar. Em todas as áreas profissionais e de conhecimento é imprescindível se manter atualizada, estudar sempre, porque quando estamos preparadas somos mais confiantes”. A afirmação é da engenheira civil Gisele Bracale, a primeira mulher a presidir a AEAN (Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste), entre 2013 a 2018. Atualmente, ela continua fazendo parte da diretoria da entidade, como 1ª Diretora Financeira. Para Gisele, o maior desafio da mulher na engenharia é ter que se impor sempre.

“Quando entrei na faculdade de engenharia, em 1979, na turma de 80 alunos havia apenas quatro mulheres. Hoje, este número já é bem maior e sei que aumenta a cada ano. É um crescimento lento, mas contínuo. A mulher está se dando conta de que ela pode ser e fazer o que quiser”, comenta.

De fato, a participação das mulheres na engenharia, área tradicional e majoritariamente ocupada por homens, vem aumentando ao longo do tempo. A Relação Anual de Informações Sociais do Ministério da Economia, de 2018, revela que, no conjunto das engenharias, há cerca de 40 mil mulheres engenheiras no Brasil. E dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) registram crescimento de 42% no número de engenheiras registradas anualmente no órgão entre 2016 e 2018. Entretanto, no cenário total, a participação feminina entre os profissionais ativos na área é de apenas 15%.

Na AEAN o índice é maior, sendo as mulheres pouco mais de 18% dos associados. Para Gisele, a valorização das profissionais engenheiras é dever de todos que fazem parte do grande mercado das engenharias. “As mulheres que querem fazer engenharia devem ter em mente que a atividade diz respeito a pensar, estudar, projetar, executar e criar soluções para um problema. Tem que gostar de estudar e se atualizar constantemente. Me formei em dezembro de 1983, mas em julho de 1983 já comecei a estagiar em uma empresa de cálculo estrutural, e até hoje trabalho nesta área. Gosto muito de estudar, ler, e com essa pandemia os cursos se tornaram on line, sendo em grande parte gratuitos. Tenho assistido pelo menos duas lives por semana. Adquirir conhecimento é maravilhoso”, conclui.

 

Crea-SP

Para o presidente do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo), engenheiro de telecomunicações Vinicius Marchese Marinelli, a mulher engenheira agrega competências, como profissionalismo, conciliação, trabalho em equipe, dedicação aos detalhes, e tem que ser valorizada por isso. “De forma geral, as mulheres vêm ocupando lugares importantes no mercado de trabalho. Isso inclui as engenharias. E esses espaços são conquistados à base de muito trabalho e empenho. Para isso, elas sabem que é preciso estar em atualização constante com o mercado, com novas técnicas e aliadas à sustentabilidade para enfrentar os desafios e avançar cada vez mais com representatividade no setor. Todas as mulheres, engenheiras e de todas as profissões, merecem o nosso respeito e estão de parabéns”, celebra Marinelli.

 

Não ao preconceito

 

 “Como se não bastasse termos que nos esforçar mais do que o homem para mostrar ao mercado de trabalho que temos capacidade profissional de sermos tão boas quanto ele, nós, mulheres, ainda temos que lidar com o preconceito. Não podemos aceitar esse tipo de atitude, em qualquer hipótese, nem quando um político brinca divulgando um vídeo sugerindo que mulheres engenheiras foram responsáveis pelo acidente da obra da Linha 6 do Metrô de São Paulo, muito menos quando outro fala que uma de nós é ‘fácil por que é pobre’. A civilização está em uma época de conhecimento e de correção na qual a igualdade, a meritocracia e o respeito devem ser a tônica das ações”, conclui Gisele Bracale.

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