Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Em Araçatuba, nomes de bairros e ruas frequentemente carregam histórias de personagens que marcaram seu tempo, algumas repletas de conquistas, outras envoltas em episódios trágicos ou pouco conhecidos. É o caso do bairro Hilda Mandarino e das ruas Silva Jardim e Cussy de Almeida Júnior.
Bairro Hilda Mandarino
Recentemente fui questionado sobre quem teria sido Hilda Mandarino e por que ela foi homenageada com o nome de um bairro da cidade. Apesar de ter nascido em Araçatuba em 1963 e de conhecer boa parte da história local, admito que até então nunca havia ouvido falar dessa senhora.
A pesquisa me levou a descobrir que seu nome completo era Hilda Maria Sobral Barbosa Mandarino, residente no Distrito Federal e esposa do ex-deputado federal e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Paulo Mandarino. Professora de formação, Hilda Mandarino foi homenageada em diversas cidades do país com nomes atribuídos a conjuntos habitacionais e instituições de ensino. Falecida precocemente em outubro de 1982 aos 39 anos. No entanto, sua imagem permanece pouco conhecida, não encontramos sequer uma fotografia da homenageada para postar.
Rua Silva Jardim
A Rua Silva Jardim presta tributo a Antônio da Silva Jardim, figura histórica que atuou como advogado, professor e militante republicano. Nascido em Capivari (hoje município que leva seu nome, Silva Jardim, no RJ), destacou-se pela defesa dos escravos e das ideias abolicionistas e republicanas.
Em 1890, viajou à Europa com a família e amigos e durante visita ao Vulcão Vesúvio, na Itália, resolveu subir até a borda da cratera adormecida há mais de uma década. Acompanhado por seu cunhado Carneiro de Mendonça, foi surpreendido por um tremor e, tragicamente, caiu no interior do vulcão. Sua morte, em 1º de julho de 1891, permanece como uma das mais dramáticas entre os nomes eternizados nas vias públicas brasileiras.
Rua Cussy de Almeida Júnior
A Rua Cussy de Almeida Júnior, uma das mais importantes de Araçatuba, homenageia um personagem cuja trajetória foi marcada pela tragédia. Inicialmente, a via se chamaria Rua Doutor Ademar de Barros, em alusão ao interventor paulista da época.
Cussy de Almeida Júnior, advogado potiguar radicado em Bauru, presidiu a subseção local da OAB e atuava como auxiliar de gabinete de Ademar de Barros. Em 1º de outubro de 1938, viajava em comitiva para Araçatuba, onde acompanharia o interventor na inauguração do Estádio Municipal. Porém, o avião caiu próximo a Laranjal, sob forte neblina seca, matando todos a bordo, entre eles o presidente da VASP, Paulo Faria, o tenente Adolpho Padilha, o engenheiro Arnaldo Alves da Motta e o próprio Cussy.
A tragédia causou grande comoção, resultou em luto oficial e evidenciou a precariedade da navegação aérea da época. Em Araçatuba, Ademar de Barros decidiu homenagear seu colaborador, solicitando ao então prefeito Aureliano Valadão Furquim que desse o nome de Cussy à rua que levaria o dele. O estádio, por sua vez, acabou recebendo mais tarde o nome do próprio governador.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, historiador e autor do Livro: “Memórias de Araçatuba”.

