Diego Fernandes – Araçatuba
Com o plenário da Câmara Municipal superlotado e com gente, inclusive, do lado de fora, na Praça 9 de Julho, a Secretária Municipal de Saúde, Lucila Bistaffa, mostrou dados sobre a pasta no primeiro quadrimestre e respondeu questionamentos de vereadores e da população, na noite desta quinta-feira (28).
Em questionamento feito pelo vereador Luís Boatto (SD), Lucila confirmou que a Prefeitura está estudando a possibilidade de diminuir o funcionamento das UBSs Umuarama II e Morada dos Nobres, atualmente em 24h, para 15h, funcionando apenas as 7h às 22h, devido à baixa demanda na madrugada.
Para compensar, Lucila acredita que será mais eficiente abrir outras unidades até às 22h, já que este tem sido o horário de pico dos atendimentos nas unidades básicas de saúde.
“O que a gente vem conversando é que, hoje um paciente atendido nessas unidades custa R$ 650, a gente tem uma média de atendimento das 23h às 6h de 4 a 6 pacientes, e aí eu mantenho uma equipe toda nesse período. Eu tenho uma preocupação de quando o nosso Novo Pronto-Socorro abrir, dessa redução ser ainda mais significativa”, afirmou a secretária.
Ela comentou que com poucos recursos, é necessário utilizá-los de forma com que seja mais eficiente e que atenda mais pessoas e mais locais.
“Hoje, o recurso é finito e eu preciso investir bem, e é nesse propósito que eu preciso definir. Neste momento há alguma coisa definida? Ainda não, nós estamos avaliando, levantando os dados, as informações, tentando entender qual a melhor condução e de que forma a gente pode ser mais efetivo. Essa casa colocou a importância da gente encurtar o período de consulta e eu consigo fazer isso se de repente eu abrir mais unidades até às 22h”, disse.
A secretária comentou dos custos de abertura das unidades 24h, argumentando que estes mesmos custos caem para quase um terço para as unidades que atendem apenas até às 22h, com maior demanda.
“Hoje as duas unidades do Umuarama e Morada dos Nobres custam para a gente R$ 680 mil mensais, uma unidade até 22h, que tem mais dois médicos atendendo as demandas, custa R$ 250 mil. Se a gente quer ampliar e que o público busque as unidades, o senhor concorda comigo que talvez compense a gente mais e outras unidades até 22h e reduzir carga horário dessas outras duas. Nossa avaliação é de fechá-las as 22h e de abrir outras unidades no São José, no Turrini, no TV, até 22h. Essa análise está sendo feita sim”, disse.
Hospital de Pequeno Porte
A Secretária Lucila Bistaffa destacou a necessidade de Araçatuba ter um Hospital de Pequeno Porte, para atendimentos de menor complexidade. Ela comentou que existe a possibilidade de este equipamento funcionar no Novo Pronto-Socorro, que está em fase final de reformas.
Com isso, ela acredita que melhoraria muito a questão das transferências de pacientes para a Santa Casa de Araçatuba, que sofrem atualmente com a burocracia da dependência do CROSS, a Central Reguladora do Estado.
“Diferente de cidades da região que tem uma referência primária, Araçatuba hoje não tem uma referência primária que não a Santa Casa de Araçatuba. O prefeito tem conhecimento que a gente precisa de um espaço que seja nosso, que a gente consiga fazer internação, que o paciente fique internado cinco ou oito dias. A gente vem dialogando com o DRS. Diariamente a gente fica implorando para que o paciente seja retirado do pronto-socorro”, disse.
Ela comentou que o Novo Pronto-Socorro poderá ter essa estrutura e que está batalhando por isso.
“Gostaria de sair daqui e dizer pra gente ir para o pronto-socorro novo, que lá tem leito, e eu não duvido que esse pronto-socorro se transforme rapidamente em um HP, e a gente vai avaliar essas possibilidades, porque ele tem estrutura para isso”, disse.
Audiência
A pasta de Saúde, por meio da secretária municipal Lucila Bistaffa de Paula, apresentou na Câmara, na noite desta quinta-feira (28), o relatório detalhado das ações dos quatro primeiros meses deste ano.
Sobre os recursos aplicados, os balancetes mostraram que as receitas vinculadas à saúde alcançaram R$ 285,3 mi enquanto as despesas orçamentárias com recurso próprio foram de R$ 49,9 mi. O total empenhado das despesas chegou a R$ 144,8 mi, sendo o valor liquidado de R$ 77,4 mi.
As receitas de transferência de recursos por entes federados no período apurado foram: estadual (1,72%), federal (22,80%) e municipal (75,47%). No 1º quadrimestre, o percentual aplicado em saúde foi de 17,49% – o mínimo exigido por lei é de 15%.
O relatório das ações da pasta também trouxe dados de assistência especializada e hospitalar, vigilância em saúde, transporte fora do município, auditorias, mandados judiciais, processos administrativos, vacinação contra a gripe e obras previstas com equipamentos na área da saúde.
Os dados ainda contemplaram os valores e a situação de emendas impositivas destinadas à secretaria municipal de saúde e a instituições ligadas à saúde, bem como as emendas parlamentares estaduais e federais.
O público perguntou sobre o funcionamento dos serviços de saúde e a ampliação de equipes, a demora na realização de cirurgias, o tamanho da fila para a realização de exames e o atraso de obras na área da saúde.
A audiência foi conduzida pela presidente da Casa de Leis, vereadora Edna Flor (Podemos). Também participaram os vereadores Denilson Pichitelli (Republicanos), Hideto Honda (PSD), Gilberto Batata Mantovani (PSD), Sol do Autismo (PL), Fernando Fabris (PL), João Pedro Pugina (PL), Dr. Luciano Perdigão (PSD), Damião Brito (Rede), Ícaro Morales (MDB), Luís Boatto (Solidariedade) e Rodrigo Atayde (PRTB).



