Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Entre as muitas histórias de Araçatuba que merecem ser preservadas, a do Araçatuba Clube, sendo dúvida alguma, ocupa um lugar muito especial. Fundado em 5 de junho de 1931, tornou-se, ao longo das décadas, uma das mais importantes instituições sociais, culturais e esportivas do município. Sua trajetória acompanhou o desenvolvimento da cidade e as transformações nos costumes e nas formas de convivência da sociedade araçatubense. Durante grande parte do século XX, o Araçatuba Clube foi muito mais do que uma associação recreativa. Sua sede social, localizada no cruzamento das ruas Duque de Caxias e Afonso Pena, na região central, era um dos principais pontos de encontro da sociedade local. Ali aconteciam bailes, festas de casamento, comemorações, festas de debutantes, eventos beneficentes, reuniões sociais e os tradicionais carnavais de salão.
Em uma época em que os grandes clubes desempenhavam papel fundamental na vida das cidades, o Araçatuba Clube tornou-se também símbolo de prestígio e pertencimento. Frequentar seus salões e participar de seus eventos fazia parte da vida social de muitas famílias. Os carnavais de salão ocupavam lugar especial nessa memória. Durante os festejos, a sede se transformava em cenário de música, fantasias, confetes e serpentinas, reunindo diferentes gerações. A importância cultural do clube também ficou registrada em seu patrimônio artístico. No final da década de 1960, o artista plástico italiano Franco da Sermide Gavioli produziu três grandes painéis em alto-relevo para as paredes da sede social. As obras retratavam aspectos do cotidiano, dos costumes e da história do município, transformando o prédio em importante espaço de preservação da memória de Araçatuba.
Com o passar dos anos, porém, os hábitos da sociedade se modificaram. A expansão urbana, o surgimento de novas formas de lazer, as mudanças no perfil das famílias e as dificuldades financeiras enfrentadas por clubes tradicionais alteraram profundamente o modelo que havia predominado durante boa parte do século XX. Nesse processo, o Araçatuba Clube também precisou se adaptar. A antiga sede social do Centro foi vendida como parte das medidas destinadas a enfrentar dificuldades financeiras e garantir a continuidade da instituição e posteriormente o histórico edifício foi demolido, dando lugar a novos empreendimentos.
Para muitos araçatubenses, a perda da sede representou o desaparecimento de um importante marco arquitetônico e afetivo da cidade. Não se perdia apenas um prédio, mas um lugar carregado de lembranças de bailes, festas, amizades, namoros, casamentos, carnavais e encontros familiares. Parte significativa desse patrimônio artístico, felizmente, foi preservada. Antes da demolição, os três painéis de Gavioli foram retirados e restaurados pela artista Rose Fávero, sendo posteriormente transferidos para a sede de campo. O conjunto recebeu proteção por meio de tombamento municipal, garantindo a preservação dessas obras como patrimônio cultural de Araçatuba.
A história do clube não terminou com o desaparecimento de sua sede urbana. Na sede de campo, localizada na região da Rua Baguaçu, a instituição encontrou um novo espaço para continuar sua trajetória. Gradualmente, as antigas funções sociais foram complementadas por atividades voltadas ao lazer, ao esporte e à convivência familiar. Piscinas, áreas verdes, quadras esportivas, espaços para festas e atividades recreativas passaram a representar essa nova fase. O complexo inclui parque aquático, piscinas para adultos e crianças, áreas esportivas e um complexo de tênis, com quadras abertas e cobertas. As escolinhas de natação, tênis e futebol também contribuem para a formação de crianças e jovens. Para aqueles que viveram as décadas de maior esplendor, porém, o Araçatuba Clube continua sendo muito mais do que suas instalações atuais. É parte da memória afetiva da cidade, presente nas fotografias, nas histórias familiares e nas lembranças de gerações de associados.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, memorialista e autor do Livro: Memórias de Araçatuba.

