Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Houve um tempo em que os concursos de beleza ocupavam lugar de destaque na vida social brasileira. As eleições de misses mobilizavam clubes, jornais, famílias e cidades inteiras. Mais do que beleza, aquelas jovens representavam elegância, educação, postura e a possibilidade de levar o nome de suas cidades para além de suas fronteiras. Foi nesse cenário que Ângela Maria Favi Fogolin tornou-se uma das mais importantes representantes de Araçatuba nos concursos de beleza e uma das personalidades mais lembradas da vida social araçatubense dos anos 1970.
Dona de beleza marcante, porte elegante, simpatia e desenvoltura, Ângela conquistou inicialmente o título de Miss Araçatuba, passando a representar oficialmente o município. A vitória abriu caminho para uma trajetória que alcançaria dimensão estadual, nacional e internacional. Em 1972, representando Araçatuba no concurso estadual, foi coroada Miss São Paulo, conquista de enorme significado para a cidade. Naquele período, o título possuía grande prestígio e ampla repercussão na imprensa e na televisão. A vitória de uma jovem do interior projetou Araçatuba para os grandes circuitos dos concursos de beleza brasileiros e foi recebida com orgulho pela população.
Como Miss São Paulo, Ângela foi recebida pelo então governador paulista Laudo Natel, em reconhecimento à conquista e ao prestígio que o título possuía naquela época. Ainda em 1972, viajou ao Rio de Janeiro para disputar o tradicional concurso Miss Brasil. Considerada uma das fortes concorrentes ao título, viveu, entretanto, um dos momentos mais difíceis de sua vida. Durante a semana decisiva da competição, recebeu a notícia do falecimento de seu pai. Mesmo profundamente abalada pela perda, decidiu permanecer no concurso. Enfrentando o luto em meio à exposição pública da competição, demonstrou serenidade e determinação. Ao final, conquistou a segunda colocação geral, recebendo o título de Miss Brasil Mundo, que lhe garantiu o direito de representar o Brasil no Miss World 1972, realizado em Londres, na Inglaterra.
Assim, a jovem que havia iniciado sua trajetória representando Araçatuba chegava a um dos mais tradicionais concursos internacionais de beleza. Seu nome e o de sua cidade alcançavam projeção muito além do interior paulista. De volta a Araçatuba, Ângela tornou-se presença marcante na vida social da cidade. Durante os anos 1970, participava de bailes, recepções, solenidades e eventos promovidos pelos clubes e instituições locais. Sua elegância, educação e simpatia fizeram dela uma figura admirada por toda uma geração. Depois dos anos de concursos e dos holofotes, Ângela escolheu uma vida mais reservada. Casou-se com Hélio Fogolin, com quem teve dois filhos, Hélio Fogolin Júnior e Karina Favi Fogolin. Afastada da exposição pública, dedicou-se à família, mas permaneceu na lembrança dos araçatubenses.
Sua vida foi interrompida precocemente. Depois de enfrentar uma luta contra o câncer de pulmão, faleceu em 28 de junho de 2003, aos 49 anos. Relembrar Ângela Maria Favi Fogolin é recuperar também a memória de uma época em que os concursos de miss faziam parte do imaginário coletivo e uma vitória local podia transformar-se em acontecimento para toda uma cidade. Ângela não foi apenas a Miss São Paulo de 1972. Foi a araçatubense que levou o nome de sua terra ao concurso nacional, conquistou o título de Miss Brasil Mundo e chegou ao palco internacional do Miss World. Seu nome permanece na memória de Araçatuba como símbolo de beleza, elegância e distinção, mas, sobretudo, como lembrança de uma mulher que representou sua cidade com orgulho e deixou seu nome registrado na história social e cultural do município.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, memorialista e autor do Livro: Memórias de Araçatuba.

