Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Durante boa parte da segunda metade do século XX, a Maternidade Santa Terezinha foi uma das mais importantes instituições hospitalares de Araçatuba. Mais do que um espaço de saúde, tornou-se um símbolo da vida e da memória afetiva de gerações de araçatubenses que ali nasceram ou acompanharam o nascimento de familiares e amigos.
Fundação e Funcionamento
A origem exata da maternidade não possui registro oficial, mas as referências históricas indicam que ela entrou em funcionamento na década de 1950, o que sugere que a construção do prédio ocorreu no início desse período, na Rua Duque de Caxias. O hospital prestava serviços obstétricos e hospitalares gerais, atendendo pacientes de Araçatuba e de cidades vizinhas. Em uma época em que a infraestrutura médica ainda se consolidava na região, a Maternidade Santa Terezinha representou um avanço importante na área da saúde local, especialmente no atendimento às gestantes e nos cuidados neonatais.
Transformações e Desativação
Com o passar dos anos, o edifício passou por reformas e modificações estruturais, alterando parte de sua configuração original. No final dos anos 1980, o imóvel foi adquirido pelo empresário Zulmiro San Martino, proprietário de vários prédios importantes da cidade, como os da Casa Real, do Multi Shopping e do Supermercado Stock. Após a desativação definitiva da maternidade, ocorrida possivelmente ao longo da década de 1990, o prédio acabou sendo demolido e o terreno deu lugar ao Estacionamento Duque, marcando o fim físico de um espaço que, durante décadas, simbolizou o início de tantas vidas araçatubenses.
Memória e Legado
Embora não exista mais, a Maternidade Santa Terezinha permanece viva na memória coletiva da cidade. Nas redes sociais e nos encontros entre antigos moradores, o nome do hospital é frequentemente citado com carinho e nostalgia. Testemunhos revelam que a maternidade ultrapassou sua função médica e tornou-se um marco emocional, parte integrante da identidade de Araçatuba. Hoje, o local onde antes ecoavam choros de recém-nascidos e passos de enfermeiras, transformou-se em um espaço silencioso, ocupado por veículos em trânsito. Ainda assim, cada lembrança compartilhada mantém viva a presença simbólica da Maternidade Santa Terezinha, um capítulo essencial da história da saúde e da vida comunitária araçatubense.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, historiador e autor do Livro: Memórias de Araçatuba.

