Diego Fernandes – Araçatuba
Vereadores aprovaram novo requerimento pedindo o laudo completo da empresa contratada pela GS Inima Samar sobre os problemas da avenida Pompeu de Toledo, em Araçatuba. Em proposta do vereador Luis Boatto (MDB), ele alega que os laudos foram enviados de forma incompleta após o primeiro pedido.
O fato já havia sido apontado também pelo Observatório Social do Brasil – Araçatuba, que também questionou a prefeitura e a Agência Reguladora DAEA sobre o tema.
Os laudos apontaram problemas na compactação de solo da avenida, que seriam os causadores das rachaduras e afundamentos vistos ao longo do asfalto recém-aplicado na avenida e no talude do Córrego Machadinho.
O laudo incompleto foi assinado por engenheiro responsável da empresa AC Moreno Serviços Especializados LTDA, que informou que houve problemas na compactação de solo, o que provocou as rachaduras e problemas estruturais causados pela água das chuvas.
A reportagem verificou que apenas as páginas ímpares do laudo foram enviadas após a primeira solicitação feita pela Câmara.
Boatto lembra que pode ser considerada improbidade administrativa o não fornecimento de informações por parte do poder público à Câmara e à população.
“Solicitei a cópia e a resposta veio faltando páginas. Não entendi. Como é que manda um documento para essa casa faltando páginas? Mandou página sim, página não. Não dá para entender”, questionou o vereador.
O vereador Antônio Edwaldo Dunga Costa (União Brasil) concordou com a solicitação e chegou a falar em CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para requerer as informações complementares sobre os laudos.
“Ou dá a resposta certa ou vamos abrir uma CPI, porque aí tem poder de polícia. Aí ou vem ou a polícia busca”, afirmou Dunga, que presidente a Comissão aberta na Câmara para verificar os problemas de asfalto de má qualidade nas avenidas.
Já o vereador Lucas Zanatta (PL), defendeu a convocação do comissário-geral da Agência Reguladora DAEA, Márcio Saito, para esclarecimentos sobre os laudos e o trabalho de fiscalização da agência nas obras.
“Temos que convocar o presidente do DAEA, isso tem que ser esclarecido porque o prejuízo é enorme. Não dá para inaugurar a avenida, um caminhão afundou na avenida. Sem fluxo, ela afunda”, disse.
O requerimento foi aprovado e a prefeitura terá o prazo regimental de 15 dias para enviar os laudos completos à Câmara, que ficarão disponibilizados de forma pública através do site.
Laudos
Conforme divulgado pelo jornal O LIBERAL REGIONAL no dia 14 de abril, baseado nas informações prestadas à Câmara de forma incompleta, em conclusão do laudo emitido pela empresa Forcassin Engenharia e Construções Ltda., a pedido a GS Inima Samar, foi informado que “não houve rompimento nas redes da Samar próximas às rachaduras apresentadas. Também não houve vazamento no coletor tronco antigo com diâmetro de 400 mm localizado no eixo da pista; e também não havia odor de esgoto ou resto de materiais sólidos misturados ao solo escavado”.
De acordo com a conclusão, “as chuvas intensas que atingiram avenida entre dezembro e janeiro, penetraram pelas trincas existentes no pavimento do trecho e que não houve compactação adequada do solo situado sob a calçada”. O laudo foi emitido no dia 10 de janeiro, segundo o documento.
Conclusão parecida também foi apontada por laudo feito pela empresa Sartori Projetos Estruturais S/C Ltda, também contratada pela GS Inima Samar.
De acordo com o documento, a água “percolou pelas fissuras do pavimento e saturou o aterro nas margens do córrego Machadinho, o que provocou o recalque do solo mal compactado que teve como consequência o rompimento da pista da avenida”. Este laudo foi emitido no dia 24 de janeiro.
Já o laudo emitido pela empresa Infra Engenharia Ltda, a pedido da Agência Reguladora Daea, concluiu que “os danos foram provocados pelo extravasamento das redes através dos PVs e esses extravasamentos ocorridos sob o pavimento ocasionaram os danos”. Outro trecho cita que “pelas sondagens existentes as redes foram assentadas sob solo mole”.

