FERNANDA COLLI
Por mais que existam dias sem fim, não podemos negar que o tempo está passando mais depressa. Piscamos, já é sexta. Dormimos e já estamos ouvindo a música do Fantástico na televisão. E nessa corrida seja contra ou a favor do tempo, o que estamos fazendo?
Estamos tendo tempo de dar o beijo de boa noite? O bom dia para as pessoas com quem cruzamos na rua, ou melhor, em nosso trajeto rotineiro, reparamos alguma mudança? Nossa gestão de tempo em prol das coisas que realmente importam está sendo exitosa? Trazendo essas perguntas e reflexões a mim, mera mortal, sem titubear digo que não.
A gente passa tanto tempo querendo mudar o mundo que às vezes nos esquecemos que a mudança começa com os nossos. O abraço de boa aula, os desejos de bom dia. Administrar estresse, rotina, contas acaba tomando mais tempo do que os momentos de lazer. Pedir para invertermos a situação talvez seja impossível para a maioria de nós, trabalhadores, máquina que movimenta a economia do país. Já que não conseguimos aumentar nosso tempo, que o pouco tempo seja intenso.
Que o pouco tempo que temos para nossos filhos seja o tempo inesquecível e tão esperado por eles; que as risadas e os abraços sejam incansáveis e que todas as oportunidades de estarmos com nossos amigos e as pessoas que amamos sejam únicas. Que mesmo o pouco tempo que temos para demonstrar nosso carinho e todo nosso afeto seja tão sincero e repleto de energia ao ponto de transmitirmos um amor tão intenso capaz de aguardar ansiosamente o próximo encontro.
Fernanda Colli é pedagoga, psicopedagoga, Arte Educadora, e membro da Academia Araçatubense de Letras

