Depois dos problemas enfrentados devido à estiagem de 2014 e 2015, resultando na suspensão da navegação por longo período, a Hidrovia Tietê-Paraná não está conseguindo aumentar o volume de carga transportada. Para aumentar a confiabilidade, o governo do Estado de São Paulo, por meio do Departamento Hidroviário está executando obras no canal a jusante da Usina de Nova Avanhandava, mas o ritmo está lento. “Por determinação do governador João Doria, a Secretaria de Logística e Transportes está tomando medidas para iniciar os estudos para a concessão da Hidrovia Tietê-Paraná ao setor Privado”, admitiu a secretaria em nota encaminhada à redação de O LIBERAL REGIONAL.
Há poucos dias, o próprio governador João Doria, ao falar sobre planos de seu governo, citou a concessão de aeroportos e da hidrovia.
Segundo a Secretaria de Transportes, está em andamento, desde fevereiro de 2017, a obra de derrocamento à jusante de Nova Avanhandava, executada em cerca de 10 quilômetros da hidrovia, justamente no ponto mais crítico para a navegação. “Com a conclusão desta obra, o canal de navegação de acesso à eclusa de Nova Avanhandava, ganhará mais 2,4 metros de profundidade. Além disso, a obra irá possibilitar a compatibilização do uso do reservatório tanto para a navegação como para a geração de energia em épocas de maior estiagem a exemplo da ocorrida em 2014 e 2015, sem trazer qualquer prejuízo à navegação e ao transporte de cargas. O valor contratado desta obra é de 191,6 milhões de reais”, acrescenta a nota.
VOLUME DE CARGAS
Conforme dados divulgados pela secretaria, em 2016 foram transportados pela hidrovia 8,74 milhões de toneladas. Já em 2017 houve ligeiro aumento, chegando a 8,91 milhões de toneladas. Porém, em 2018, houve queda no volume transportado, chegando a 8,43 milhões de toneladas. Para este ano a expectativa é de aumento de 7%, com estimativa de chegar a 9 milhões de toneladas transportadas.
PRODUTOS
TRANSPORTADOS
Segundo a secretaria, a areia atualmente é carga predominante no trecho Paraná. No Tietê, trecho administrado pelo Departamento Hidroviário, cargas como soja, milho e cana de açúcar possuem maior representatividade no volume de transporte.
Atualmente dez empresas operam na hidrovia, sendo seis com foco na navegação de longo curso e quatro operando turismo/ transporte de passageiros.
NOVOS CLIENTES
A Secretaria dos Transportes informou que na medida em que o fluxo de cargas na hidrovia aumente, assim como a representatividade do modal na matriz de transportes, a tendência é que novos usuários utilizem o sistema hidroviário Tietê-Paraná.
No entanto, na região de Três Lagoas, algumas empresas estão relutando em usar o modal. Para operação na hidrovia as empresas precisam fazer elevados investimentos em logística e ainda não estão plenamente confiantes. Por isso, ainda usam o modal rodoviário, que embora seja de custo mais elevado, sentem mais segurança.
ANTÔNIO CRISPIM
Araçatuba

