Rodrigo Andolfato
Hoje discorreremos sobre o quarto, dos cinco parágrafos que tratam do assunto “NA IGUALDADE (RACIAL E GÊNERO) ENTRE OS INDIVÍDUOS”. No artigo da semana passada discorremos sobre os três primeiros e procuramos mostrar que a verdadeira igualdade entre os indivíduos está no tratamento verdadeiramente igual para todos. Reforço isso para que fique claro que todo indivíduo é diferente um do outro e, portanto, devemos aceitar tais diferenças. Querer tratar pessoas diferentes de forma diferente, nada mais é que retirar o pé de igualdade dos seres humanos, e com isso fazer nascerem sentimentos de injustiça entre os homens de bem. Sentimentos esses que criam agrupamentos chamados de minorias, os quais procuram obter vantagens sociais sobre outras minorias. Por isso repito mais uma vez a seguinte frase: “todo homem deve ser verdadeiramente livre para escolher ser e agir como quiser, sem com isso prejudicar a terceiros em suas liberdades”.
O quarto (penúltimo) parágrafo deste item versa assim: “Promover diagnósticos, estudos e ações, que levem a melhoria das condições de vida, através da constituição condominial de propriedades privadas, que regrem inclusive questões culturais, tais como ocorrem em comunidades quilombolas ou indígenas.” Nosso objetivo com este parágrafo é permitir que agremiações tenham liberdade de escolha de quem podem habitar suas comunidades, de quem serão seus membros, conforme sejam seus desejos compactuados. A primeira vista isso parece algo errado, algo que segrega as pessoas, e justamente por isso, precisamos discorrer com profundidade sobre o assunto.
É preciso ter em mente que condomínios estruturalmente bem estruturados permitem uma vida em comunidade sem rusgas, sem brigas, e com regras bem definidas. Mas para começarmos do começo, devemos explicitar as segregações culturais. “Como assim, Rodrigo? Isso existe? E se existe, deve continuar a existir?”. Bem vejamos. Uma comunidade indígena que queira preservar suas raízes culturais e antropológicas, sem miscigenação com o povo caucasiano (brancos), deve ter o direito ou não de querer preservar tais raízes? Que pergunta, heim, caros leitores! E uma comunidade quilombola? Teria ou não o direito de impedir brancos de adentrar suas comunidades, uma vez que querem manter tais propriedades livre de contaminação cultural de outros povos? Dois exemplos extremamente capciosos, correto? Não! Na verdade, dois exemplos bem práticos de como aceitamos algumas minorias e não aceitamos outras. Se o exemplo fosse dado assim: Imaginem uma comunidade de conservadores que não aceitam roqueiros transgressores em seu convívio. Acredito que todos aqui já estariam colocando uma pá de cal sob a lápide do bom senso e a briga estaria armada. Alguns estariam corretamente extrapolando tal linha de pensamento, e imaginando comunidades com regras bem definidas que permitiam algumas posturas e pessoas, e proibissem outras. Perfeito! É disso mesmo que estamos falando. Imaginem vocês que existem dois tipos de pessoas apenas. As que gostam de pagode e as que gostam de rock metal. Durante o dia ambos trabalham em paz e produzem juntas de forma pacífica e eficiente. Durante a noite, porém, cada um vai para sua casa e ouve seu som nas mais altas alturas. Seus vizinhos gostam das mesmas músicas e por isso não se desagradam, aliás, vivem felizes uns com os outros. O problema reside quando o pagodeiro resolve se mudar para a comunidade dos “metaleiros”. Por essa razão, procuraremos disseminar entre as pessoas de bem de nossa cidade o maravilhoso papel dos condomínios, os quais podem em sua convenção condominial adotar definições sociais, de credo, de convicções políticas, etc. de forma que a vida se torne pacífica e sem combates. Procuraremos divulgar entre as pessoas de nossa cidade a obra “Eu, o Lápis”, a encantadora história de Leonard Read sobre a complexidade de se produzir um simples lápis, e que tal complexidade só pode ser sobrevencida graças à cooperação comercial de vários povos de culturas diferentes. E que se tais culturas fossem obrigadas a viver em conjunto, não só o lápis não seria produzido, como guerras seriam declaradas.
O que queremos com esse parágrafo é permitir que várias comunidades de nossa sociedade possam, sim, ter a mente aberta para assuntos complexos e polêmicos, que engrandeçam o debate filosófico sobre as comunidades e suas culturas. Tenho acompanhado muito a constante beligerância de vários grupos rivais, antropologicamente falando. É direita contra esquerda, no espectro político de “Estados Modernos”, são conservadores contra progressistas, no espectro filosófico, são evangélicos contra espíritas, no espectro religioso, e por ai vai. Tudo isso poderia se evitado com condomínios privados que definissem regras sociais de convívio. Aquilo que chamamos de pequenas cidades privadas, cada uma com suas especificidades culturais e obviamente de livre saída. Pois é na livre saída que reside a verdadeira liberdade. Liberdade essa que não vemos em países socialistas que exigem um passaporte para que se deixe o país. Opa! Espere aí! Todos os países exigem um passaporte para que se deixe o país. Será que todos os países nos consideram seus escravos? Que tal por a cabeça para pensar? #ARACATUBADOBEM também é isso, trazer filosofia Liberal para as pessoas de nossa cidade. #pensarépreciso.



