DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA
Um crime chocou Araçatuba e região entre a noite de sexta (13) e a madrugada do último sábado (14), no bairro Jardim TV, em Araçatuba. As investigações da Polícia Civil apontam que Daniel Cantarani, de 36 anos, planejou o assassinato da mãe, Magali Cantarani Poletti, de 61 anos, e do padrasto, Lourival Aparecido Poletti, de 56 anos. O crime foi cometido na casa do casal, na rua José Xavier Couto.
As vítimas foram assinadas a pauladas, em caso semelhante ao de Suzane Von Richthofen, que planejou o assassinato dos pais, que foram mortos da mesma forma em 2002.
Daniel foi preso junto com outro homem, que, segundo as investigações e, de acordo com o próprio Daniel, foi contratado por R$ 700 para realizar o serviço. Além disso, uma outra mulher também foi presa acusada de participação no crime.
A motivação do crime seria pelo fato de o casal não aceitar a homossexualidade do filho de Magali.
Inicialmente, ao atender o caso, na madrugada de sábado, por volta de 3h, os policiais acreditavam ser um caso de latrocínio, que é roubo seguido de morte, segundo explicou o Delegado da DEIC (Divisão Especializada de Investigações Criminais), José Abonízio, em entrevista concedida no próprio sábado, para explicar o caso.
De acordo com ele, inicialmente, apenas o corpo de Magali foi encontrado. O próprio filho acionou a polícia ao, supostamente, ter encontrado o corpo da mãe ao lado do veículo na garagem da casa dela.
“Com a gente chegou com o atendimento no local, tudo indicava pela cena do crime que se tratava de um roubo ou latrocínio. Mas chamou a atenção que o modo como a casa estava revirada, deixou-se de levar objetos de valor. Certo tipo de mobília que geralmente os ladrões gostam de mexer não foi mexido, eram pessoas que não sabiam o que está fazendo ali. Fora que o ambiente ficou todo sujo de sangue e nós tivemos notícia de que foi um dos filhos que encontrou o casal”, disse explicou o delegado.
A partir disso, passou-se a acreditar que poderia ter sido um crime passional e que Magali poderia ter sido morta pelo marido, possibilidade que caiu por terra ao encontraram o corpo de Lourival no porta-malas do veículo que estava ao lado.
Com isso, durante as investigações, os policiais chegaram ao filho de Magali, Daniel, que passou a ser um dos suspeitos. Inicialmente, ele negou participação no crime, porém, a sua versão dos fatos não estava batendo com a de vizinhos, que ouviram barulhos na casa no momento do ocorrido, além de outras evidências.
“Neste ponto a gente voltou a confrontar as versões do filho da mulher, e ele acabou depois por revelar toda a verdade, que ele havia contratado uma pessoa e que essa pessoa, mediante o pagamento de R$ 700, iria lhe ajudar a ceifar a vida do casal. Que na data de ontem (sexta-feira, 13) essa pessoa foi lá com o cabo do machado, comprou gasolina que eles iriam ou queimar, ou ocultar de algum modo o cadáver, ou jogar em um rio, ia dar um jeito de ocultar o cadáver das vítimas”, explicou o delegado.
Segundo a confissão do investigado e o trabalho da Polícia, a intenção era ocultar os dois cadáveres, mas isso não foi possível devido à dificuldade em carregar o corpo de Magali para o porta-malas assim como o de Lourival.
“Eles conseguiram colocar apenas o marido no porta-malas, não conseguiram colocar a mulher, porque ela tinha um pouco de sobrepeso e estava muito ensanguentada. Aí eles se desesperaram e resolveram abortar o plano de poder ocultar o cadáver e eles saíram para cada um fazer o seu álibi”, explicou o delegado.
Além do autor intelectual, filho de uma das vítimas, e o homem que foi pago para cometer o crime, uma mulher também foi detida. Ela trabalhava com um dos autores do crime e teria auxiliado fornecendo remédios para o casal com a intenção de dopar as vítimas. Ela também teria dado informações sobre como organizar o crime.
Além da prisão dos acusados, os pedaços de madeira que foram utilizados no crime também foram apreendidos. Os indiciados estão à disposição da Justiça e vão responder por duplo homicídio qualificado e por motivo fútil, dificultando a defesa das vítimas.
“Um cenário de crime que nos remete a criminosos desorganizados, que fizeram do local uma cena grotesca. Com impossibilidade de defesa das vítimas, com vários outros requisitos de crueldade contra as pessoas que foram mortas”, qualificou o delegado da DEIC de Araçatuba.

Crédito: Reprodução Facebook

