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Farmácias de Araçatuba registram aumento na procura por hidroxicloroquina

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

A divulgação de testes realizados com a hidroxicloroquina no tratamento contra a covid-19 em todo o mundo provocou uma verdadeira corrida às farmácias em Araçatuba.

No último dia 21 de março, a Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, tornou controlados os medicamentos à base deste composto e da cloroquina. Os remédios passaram a ser vendidos com receita branca, de controle especial em duas vias, para que uma fique com a farmácia e outra com o paciente.

Ontem, a Anvisa passou a liberar o uso do medicamento apenas para pacientes hospitalizados com o coronavírus e já em estado grave. Para tratar a covid-19, o órgão indicou tratamento de seis dias com a medicação.

Nas farmácias de Araçatuba, foi observado um aumento na corrida por remédios com estes compostos. Segundo a farmacêutica Letícia de Cássia, em seu estabelecimento a procura pela medicação aumentou cerca de 60%. “Semanas atrás ele era vendido nas prateleiras normal, não era controlado e nem nada. Era só pedir o Reuquinol (nome comercial de um remédio à base de hidroxicloroquina) e conseguia o medicamento”, afirmou a profissional, que informou que a Vigilância Sanitária, após decisão da Anvisa, orientou os estabelecimentos farmacêuticos a não venderem o medicamento sem prescrição médica.

Utilizado no tratamento de pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico, o acesso ao medicamento passou a ficar mais difícil para quem realmente necessita. “Prejudicou agora as pessoas que têm Lúpus, porque agora os médicos estão todos lotados e eles só vão comprar com receita médica”, explicou Letícia.

Em outros dois estabelecimentos visitados pela nossa reportagem, a procura também foi grande. Em um deles aumentou mais do que 100%. “As pessoas queriam fazer estoque de álcool gel, estoque de máscaras, e estoque de Reuquinol”, comentou uma outra farmacêutica.

A proibição da venda desenfreada de remédios com estes compostos veio por conta dos efeitos colaterais que ele pode causar como: lesões nos olhos (conhecidas como retinopatia) que podem causar cegueira, além de distúrbios cardiovasculares.

De acordo com o médico infectologista araçatubense, Dr. Stelius Fikaris, não há motivo para o consumidor comum correr atrás do medicamento. “Não tem qualquer indicação para prevenção, então não tem o porquê correr para tomar preventivamente. Ele não tem esse efeito protetor. Ele é pra usar 5 ou 6 dias com o indivíduo já doente. Então não adianta você querer toma-lo ininterruptamente na tentativa de prevenir a infecção que você não vai ter sucesso e você aí sim vai passar a ter efeitos colaterais do remédio pelo uso prolongado e pelo fato dele mexer com a imunidade do indivíduo”, explicou o médico.


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