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Tecnologia vira grande aliada da educação em tempo de coronavírus

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Quando se fala em educação a distância, a referência tida pela maior parte da população está no ensino superior. Os números justificam essa tese. Dados do Censo da Educação Superior 2018, divulgados em setembro do ano passado pelo MEC (Ministério da Educação), mostram que as vagas ofertadas pela educação superior a distância já superam as presenciais. Das 13,5 milhões de oportunidades oferecidas nas universidades e faculdades, 7,1 milhões foram para cursos a distância, enquanto 6,4 milhões a opções que exigem presença do aluno.

Nos ensinos infantil, fundamental e médio, o estudo por ferramentas digitais, em sua totalidade, parecia inimaginável há pelo menos duas semanas, quando colégios particulares decidiram suspender as aulas em virtude da epidemia de coronavírus, acompanhando medida adotada nas redes pública municipal e estadual. No entanto, diante da imprevisibilidade da reabertura das escolas, instituições de ensino locais adotaram meios on-line para os alunos continuarem a estudar, minimizando os impactos do atual momento.

Recursos digitais, antes complementares ao material didático tradicional, ganharam maior importância. Na prática, a crise, que pegou todos de surpresa, proporcionou a entrada numa nova realidade para os mais de 30 mil alunos da educação básica em Araçatuba.

GOOGLE

A paralisação repentina não trouxe dificuldades para o Colégio De Angeles, onde, por meio da plataforma Google For Education, no dia a dia, já ocorrem trabalhos com tecnologia em sala de aula e com as famílias em casa.

“Com as ferramentas disponíveis, já temos aulas on-line, como plantões de dúvidas; atividades em formulários, nas quais podemos, ao término de cada exercício realizado pelos alunos, verificar se o conhecimento foi adquirido; baterias de exercícios em vídeo, conferências e muitas outras ferramentas oferecidas pela plataforma”, destaca a diretora Clari De Angeles.

Ela ressaltou que, com a plataforma Google para a educação, a equipe é treinada e acompanhada no uso das ferramentas. “São pessoas que são treinadas a usarem as ferramentas para treinarem outras pessoas da equipe”, explica a diretora, citando, inclusive, a participação de estudantes em concursos sobre o uso de ferramentas tecnológicas. Isso, diz ela, tem feito, cada vez mais, os estudantes se engajarem em práticas com uso da tecnologia.

Responsável pelo setor de tecnologia do colégio, Luciano Toledo conta que o Google na sala de aula é usado por alunos do infantil até o médio desde 2016.

GRUPOS

Estratégias mais simples também têm sido adotadas em diferentes escolas. Para não perderem os conteúdos e o ritmo de estudos, foram criados diferentes grupos de WhatsApp a fim de promover a interação entre alunos e professores. Docentes têm gravado vídeos de suas próprias casas e passando-os aos alunos como aula virtual. Os estudantes, por sua vez, fazem os exercícios, que são encaminhados aos professores em diferentes formas. Pode ser uma foto da tarefa ou seu encaminhamento via e-mail de forma anexa. A ordem é não parar de estudar.

A ordem é se reinventar

A imagem da pequena Catharina, de 3 anos, aluna do Colégio Degrau, sentada à frente do computador, com sorriso nos lábios, pode transparecer a alegria de quem está brincando. Mas, não. Ela estava estudando. Até na educação infantil, as tecnologias têm sido uma aposta de resultado na atual circunstância. Mesmo com pouca idade, os pequenos já se reinventam.

Diretora do colégio, Daniela Devides conta que, ao fazer sua primeira reunião com a equipe diretiva da escola para traçar estratégias a fim de enfrentar a atual situação, de isolamento, fez a seguinte pergunta: “Como podemos continuar nossa missão de ensinar? Para responder essa pergunta, reascendemos ações que já existiam em nossa escola. Teríamos que inovar, nos reinventar. A disponibilidade do nosso sistema de ensino através da videoaula, avaliações e trilhas foi repassada a nossos alunos e também ao corpo docente, que teve de se reinventar”, destacou a diretora. Para ela, a tecnologia, é a “verdadeira solução” nesse momento, mas, mesmo assim, a educação não perde sua essência.

Daniela usa uma frase do clássico “O Pequeno Príncipe” para explicar esse entendimento: “Só se ver bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.

 

Contato com os pais é fundamental

Para o professor da rede estadual e diretor do Colégio Emanuel, Cláudio Cristal, as ferramentas digitais são de suma importâncias para encurtar a distância entre professores e alunos causada pelo isolamento e dar sequência aos conteúdos já iniciados no ano letivo. “Sabemos que é uma situação complicada. Tenho 25 anos de magistério e nunca passamos por uma situação tão grave. A questão da insegurança nos obriga, então, a utilizar as ferramentas digitais”.

No entanto, diz ele, os recursos tecnológicos também têm sido importantes no contato com os pais. Ele destaca a procura do envolvimento dos pais através de e-mails com aulas e vídeos on-line, além da participação deles em grupos de WhatsApp. “É importante o contato do aluno para que ele não fique ocioso. É com essas atividades que estamos preocupados”, explica.


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