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domingo, agosto 7, 2022

Estado fechará acordo com municípios para zerar 30 mil cirurgias represadas em Araçatuba

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

De acordo com dados da saúde de Araçatuba, são cerca de 30 mil cirurgias eletivas (cujo paciente não corre risco de morte) que estão represadas atualmente na rede de saúde na área do DRS 2, o departamento regional de saúde.

Em todo o estado de São Paulo, são cerca de 540 mil cirurgias que estão na fila de espera. Na cidade de Araçatuba, há pessoas aguardando na fila desde o meio de 2013, segundo informação da chefe de gabinete da secretaria de saúde, Aparecida Nava. 

A situação se agravou também por conta da pandemia de covid-19, que paralisou as cirurgias eletivas em todos os hospitais paulistas por vários meses. 

Nesta semana, o secretário de estado da saúde, Jean Gorinchteyn, esteve em várias cidades do interior de São Paulo discutindo ações e propostas dos municípios para auxiliar o estado na realização destas cirurgias. O membro do governo estadual esteve em Araçatuba na última segunda-feira (27).

Dentre as propostas apresentadas pelos 40 municípios que fazem parte da DRS 2, uma delas foi a de utilização do Hospital Municipal, em Araçatuba, para o apoio na realização das cirurgias, inclusive com a disponibilização de profissionais e equipamentos.

Das cirurgias que ainda não foram feitas e cujos pacientes estão aguardando em Araçatuba, a maior parte são cirurgias ortopédicas, como cirurgias de joelho, como é o caso do morador Daniel Alves dos Santos, que possui problema crônico nos dois joelhos já diagnosticado pelo médico e que o impede de trabalhar.

Daniel mora no bairro Novo Paraíso, em Araçatuba, e aguarda cirurgia no joelho pelo SUS desde 2018. 

“Eu já estou esperando desde 2018, se eu começar do zero quando eu vou ser atendido? Quando eu perder as duas pernas”, questionou o morador. “Já tentei falar com a secretária de Saúde, com alguém que pudesse resolver meu problema, não encontrei ninguém”, reclamou à reportagem ainda no ano passado, sendo que até o momento, a situação segue a mesma.

Jean Gorinchteyn, secretário de saúde do estado, afirma que a ideia é integrar os sistemas de saúde dos municípios para que o processo e a realização das cirurgias aconteça de forma mais rápida.

“Nós pedimos para as pessoas ficarem em casa e elas ficaram. E agora é hora de o estado, junto com os municípios, darem esta resposta. A ideia é integrar todo o nosso sistema de saúde através do Departamento Regional de Saúde, para que essa assistência organizada possa dar celeridade, fazendo se caracterizar como um verdadeiro mutirão de acesso a essas cirurgias, que não é apenas saúde pública. Temos 54 tipos de cirurgias, 7 especialidades, e mais da metade são cirurgias muito simples”, afirmou.

De acordo com a chefe de gabinete da secretaria de saúde de Araçatuba, Aparecida Nava, a primeira ação será a busca por estas pessoas, que segundo ela, não será demorada.

“Agora vai ser o momento de uma busca por essas pessoas, primeiro o secretário e todos os gestores entenderam a necessidade de uma urgência para que isso aconteça, isso vai ser muito rápido, não vai demorar. Mas tem que buscar essas pessoas, fazer avaliação”, explicou Aparecida.

O secretário de saúde do estado afirmou na reunião desta semana que irá voltar a Araçatuba na segunda semana de agosto para fechar esse trabalho com os municípios da DRS 2 para a definição e início das cirurgias.

Mutirão

No final de maio, o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), anunciou o mutirão de cirurgias para zerar a fila em todo o estado. A previsão inicial era de que os procedimentos ocorressem até outubro.

A intenção era zerar uma fila de dois anos em apenas cinco meses, aumentando de 25 mil para 75 mil cirurgias por mês, utilizando hospitais filantrópicos e até particulares no estado.

O investimento total do estado previsto é de R$ 350 milhões de reais, com contrapartidas dos municípios, sendo que o início do mutirão estava marcado para junho, mas deverá começar apenas em agosto. 

Em Araçatuba, além da Santa Casa, o Hospital Municipal também deve ser um dos locais utilizados para zerar a fila de cerca de 30 mil procedimentos.

 

 

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