Em carta ao presidente da China, deputado da região pede liberação de insumos para vacinas

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Presidente da Frente Parlamentar Brasil-China e da Frente Parlamentar do BRICS (bloco que abrange os cinco países emergentes), o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) entrou na luta para amenizar as relações entre Brasil e China, hoje estremecidas, situação que ameaça a obtenção de insumos para a produção das vacinas contra a covid-19. Ontem, o parlamentar, que tem atuação nas regiões de Araçatuba, Andradina e Lins, encaminhou carta ao presidente chinês, Xi Jinping, na qual pede agilidade no envio dos materiais e apresenta um retrato sobre o quadro dramático vivido pelo País com em virtude das mortes provocadas pela doença transmitida pelo novo coronavírus.

A carta formaliza pedido para a intervenção da liderança oriental a fim de liberar a exportação do princípio ativo IFA –  Ingrediente Farmacêutico Ativo – aos laboratórios brasileiros Instituto Butantan e Fundação Oswaldo Cruz, para que o Brasil não desacelere o seu programa nacional de vacinação. Ele frisa, no texto, que o Brasil é um dos países mais afetados pelo vírus em todo o mundo, com 8,5 milhões de infectados e mais de 210 mil mortos.

No documento, o representante do Congresso Nacional aborda ainda a preocupação das autoridades sanitárias sobre o déficit no estoque do princípio ativo IFA, insumo essencial para a produção dos imunizantes Coronavac e Oxford/AstraZeneca e de outras vacinas que possam ser aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Em seguida, ressalta este princípio ativo, fornecido pela empresa chinesa Sinovac, encontra-se com estoque limitado no Instituto Butantan e na Fundação Oswaldo Cruz.

Pinato destaca a importância do país asiático nas vacinas desenvolvidas em território brasileiro. “As vacinas são frutos da parceria Brasil-China e são a grande esperança dos brasileiros na luta contra a covid-19”, diz. No entanto, pondera que o estoque de seis milhões de unidades foi distribuído a todo o Brasil, podendo imunizar apenas 0,5% dos idosos brasileiros e 34% dos profissionais da saúde.

IMPASSE

Na última segunda-feira, integrantes do alto escalão do governo Jair Bolsonaro admitiram que a relação conturbada do país com a China tem travado a importação de insumos para a produção das vacinas contra a covid-19 no Brasil.

O Governo de São Paulo e o Instituto Butantan, responsável pela produção da vacina chinesa em parceria com a Sinovac, temem que o impasse diplomático impeça a chegada do ingrediente farmacêutico. O mesmo temor existe entre integrantes dos ministérios da Saúde e da Economia, que acompanham as negociações da Fiocruz com os chineses para compra do IFA para produção da vacina de Oxford/Astrazeneca no Brasil.

“A interrupção do envio do princípio ativo IFA aos laboratórios brasileiros irá afetar, em um futuro próximo, a produção das vacinas Coronavac e Oxford/AstraZeneca, comprometendo, consequentemente, o cronograma de vacinação dos brasileiros em todos os estados e municípios, que está em curso”, enfatiza Pinato. “Reforço que o Brasil tem um profundo respeito à China, ao povo chinês e seus líderes, sobretudo a Vossa Excelência”.

Ataques de filho de Bolsonaro teriam agravado a situação

Um dos motivos para o impasse teria sido o ataque do também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, em novembro do ano passado.

O parlamentar, que é filho do presidente brasileiro, acusou o Partido Comunista Chinês de espionagem, ao falar sobre a adesão do Brasil à chamada Clean Network (Rede Limpa), articulada pelos Estados Unidos junto a outros países e cujo objetivo é banir a Huawei dos serviços de tecnologia 5G.

A embaixada da China reagiu e afirmou que “declarações infames” de Eduardo e “algumas personalidades” brasileiras desrespeitam “os fatos da cooperação sino-brasileira e do mútuo benefício que ela propicia, solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil”.


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