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sexta-feira, agosto 19, 2022

EDUCAÇÃO E LUSOFONIA

António Montenegro Fiúza

«O que sou eu? – O Perfume,
Dizem os homens. – Serei.
Mas o que sou nem eu sei…
Sou uma sombra de lume!

Rasgo a aragem como um gume
De espada: Subi. Voei.
Onde passava, deixei
A essência que me resume.

Liberdade, eu me cativo:
Numa renda, um nada, eu vivo
Vida de Sonho e Verdade!

Passam os dias, e em vão!
– Eu sou a Recordação;
Sou mais, ainda: a Saudade.»
O Perfume, António Correia de Oliveira1

Conta-se em quinze – três mãos cheias medidas – as nomeações de António Correia de Oliveira, ao Prémio Nobel da Literatura, nunca alcançando tal galardão. Autor de mais de 35 obras publicadas, entre os anos de 1897 e 1960, recebeu a primeira nomeação em 1933, pela proficuidade e qualidade da sua obra literária.
Por mais de seis décadas e meia, não cessou de produzir e de gerar texto após texto, em poesia e dramaturgia, de lirismo inebriante e simplicidade de trovador, exaltando a sua pátria e todos os seus aspetos identificadores, de entre os quais a língua.
Não tendo no nome, a fama, a sonoridade ou a notoriedade de vários outros escritores que lhe precederam ou sucederam, António Correia de Oliveira deu o seu nome a uma escola e a ruas, tendo-lhe sido dedicado uma estátua, na Praça da República.
Se o Prémio Nobel não lhe coube, António Correia de Oliveira recebeu outras honrarias, como a de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espadaý e a de Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública, as quais, não tendo cariz internacional, demonstraram o quanto a sua pátria (tão estimada) também o amou.
Nos seus 82 anos de vida, assistiu à atribuição do Prémio Nobel da Medicina a um lusófono (em 1949); postumamente, atribuiu-se um Prémio Nobel da Literatura a mais um lusófono, também português (1998). Nomeados foram vários escritores, e – em alguns casos – mais de uma vez; resta entender o que falta a esses autores, para que não alcancem o merecido prémio; resta saber o que falta aos escritores angolanos, brasileiros, cabo-verdianos, guineenses, moçambicanos, portugueses, santomenses ou timorenses, para que sejam nomeados e vitoriosos.
É mister que as nossas escolas e universidades procedam a um trabalho minucioso e contínuo de aposta na investigação e na pesquisa científica, para que não apenas a nível da literatura, se reconheça a Língua Portuguesa.

António Montenegro Fiúza é CEO – Chief Executive Officer do Grupo Lusófona Brasil

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