SECA - Reservatórios da região começam a dar sinais de recuo da água e pode comprometer serviços REPRODUÇÃO NOROESTE RURAL

Crise hídrica pode comprometer geração de energia e ameaça a navegação

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ANTONIO CRISPIM – ARAÇATUBA

A região de Araçatuba, assim como como toda a Bacia do Rio Paraná, que abrange os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, pode sofrer as consequências da histórica crise hídrica. Isso pode comprometer a geração de energia e já está atingindo a Hidrovia Tietê-Paraná com redução do calado para navegação. Pessoas ligadas ao setor estão conversando para minimizar o impacto e o fechamento da hidrovia, como ocorreu entre meados de 2014 e início de 2016. Querem evitar prejuízos e desemprego, como no passado.

O Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), coordenado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, emitiu um alerta conjunto de emergência hídrica para a área da Bacia do Paraná. O documento prevê chuvas abaixo da média entre junho e setembro na região. É a primeira vez que o órgão emite um alerta desta natureza. O alerta também foi subscrito por todos os órgãos federais ligados à meteorologia, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

Na quinta-feira o Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico (CMSE) se reuniu extraordinariamente para avaliar as condições de suprimento energético ao Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as chuvas permanecem abaixo dos valores médios históricos, resultando nos piores montantes verificados para o SIN no período de setembro do ano passado a maio deste em 91 anos de registros.

Diante deste quadro, o CMSE decidiu implementar flexibilizações das restrições hidráulicas relativas às usinas hidrelétricas Jupiá, Porto Primavera, Ilha Solteira, Três Irmãos, Xingó, Furnas e Mascarenhas de Moraes.  “Ressalta-se que as iniciativas relativas à flexibilização de restrições hidráulicas de empreendimentos localizados nas bacias dos rios Grande e Paraná visam a mitigar o risco da perda do controle hídrico na bacia do rio Paraná. Portanto, para além de questões energéticas, o intuito das medidas é garantir a devida governabilidade das cascatas hidráulicas, inclusive quanto à preservação do uso da água, ao longo do período seco de 2021”, informou o colegiado em nota.

O CMSE também vai recomendar à ANA que seja reconhecida a situação de escassez hídrica na Bacia do Rio Paraná. As propostas deliberadas ainda precisam ser avaliadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

 

PRIORIZAR ENERGIA

As medidas anunciadas deixam claro que a prioridade é a geração de energia. Por isso já estão gerenciando o nível dos reservatórios, que estão baixo. Luízio Rocha, do Sindasp (Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo) disse ontem no fim da tarde que estão sendo mantidas conversas com o Departamento Hidroviário (ligado à Secretaria de Logística e Transporte) para tratar da navegação. Rocha disse que conversam sobre redução de calado visando a manutenção da navegação na hidrovia. Ele lembrou os graves problemas decorrentes da paralisação de 2014/2016, com mais de R$ 1 bilhão de prejuízo e centenas de empregos perdidos.

A preocupação maior é com a energia, mas por enquanto ninguém fala em racionamento ou algo semelhante, como já ocorreu no passado, principalmente próximo de eleição. Na crise de 2001, o PSDB foi atingido, potencializando a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Por isso, ninguém quer falar em racionamento ou mesmo estimular a redução no consumo. O gerenciamento dos reservatórios na Bacia do Paraná, onde estão grandes usinas, é fundamental para manter a geração de energia.

No entanto, deve ser observado o uso múltiplo dos rios, como irrigação, piscicultura e consumo humano. Em 2014/2016, todas essas atividades foram comprometidas, aumentando a gravidade do problema.

 

INVESTIMENTOS NA HIDROVIA

“O Departamento Hidroviário de São Paulo informa que, até o momento, os níveis dos reservatórios do sistema da Hidrovia Tietê-Paraná estão aceitáveis e não há nenhum problema em relação à trafegabilidade. Apesar disso, o DH tem estudado, junto com outros órgãos do setor, possíveis medidas que reduzam o impacto negativo da crise hídrica nos próximos meses. Ainda na Hidrovia Tietê-Paraná, o DH aguarda recursos do DNIT, conforme termo de compromisso firmado, para a realização das obras de derrocamento do canal de Nova Avanhandava”, diz nora do departamento.

O Departamento Hidroviário ressalta que está investindo em obras de desassoreamento, derrocamento, ampliação de vãos de pontes, manutenção e implantação da sinalização náutica. Estão em andamento, por exemplo, as obras para implantação do canal de montante da eclusa de Ibitinga com investimento de quase R$ 10 milhões. (Com Agência Brasil)

 


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